quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Campanha de promoção da Identidade Negra na Paraíba

Campanha de promoção da Identidade Negra na Paraíba

A Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba – lançou no último dia 30 de julho a Campanha de Promoção da Identidade Negra na Paraíba. Durante o evento foram apresentados os produtos de divulgação da campanha e hpuve apresentação da cantora Cátia de França e de grupos regionais. O lançamento aconteceu no Cine Bangüê, no Espaço Cultural, às 19h, em João Pessoa, capital da Paraíba.

A campanha visa elevar a auto-estima da população negra no estado, afirmar a identidade negra e recuperar a sua contribuição para o desenvolvimento local e no enfrentamento das discriminações que ainda hoje a população negra enfrenta no dia-a-dia.

Em muitos setores como escolas e universidades discutir questões raciais gera constrangimentos e reações negativas. A maioria da população negra em nosso estado reflete essa cultura de negação e tem dificuldades ou até mesmo rejeita assumir publicamente suas raízes africanas.

Alguns dados ajudam a compreender que a igualdade racial ainda não foi atingida. É fato que muitos avanços já foram percebidos, mas ainda existem muitos desafios a serem enfrentados, que estão diretamente relacionados ao contexto histórico de exclusão social em que a população negra está inserida.

O racismo brasileiro é camuflado, o que dificulta as ações anti-racismo. Uma pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo revela que 87% dos brasileiros reconhecem que há racismo no Brasil. Curiosamente, 96% não se assumem como racistas (Manual dos Diálogos contra o Racismo). Mas apesar de “invisível” o preconceito gera vítimas.

A população negra na Paraíba é maioria, mas não se encontra representada de forma igualitária nas universidades nem no mercado de trabalho. Segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio) 2007 a população da Paraíba era de 3.655.000 de pessoas das quais 1.334.000 de brancos, 2.316.000 de negros (pretos e pardos), isso significa 36,5 % de brancos e 63,3 % de negros.

A última análise das condições de vida da população brasileira, realizada em 2008 pelo IBGE, revelou que apenas 5,3% das pessoas com idades entre 18 e 25 anos que freqüentam o ensino superior são pretas ou pardas. Na Paraíba a renda média de um trabalhador negro é de 1,3 salário mínimo, enquanto do trabalhador branco é de 2,7 salários.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Moreno Jamais, eu sou é negro!

Moreno Jamais, eu sou é negro!


Ligo a tevê e me deparo com uma campanha-no mínimo-surpreendente, onde aparece a figura de Chico César chamando nossa atenção para a campanha:Moreno não, eu sou é Negro! Devo confessar que jamais esperei ver um dia esse discurso escancarado na mídia paraibana, dai meu espanto e em seguida meu contentamento...

Não me espanta que seja a pessoa de Chico César a chamar a nossa atenção para essa realidade,o que me espanta é que se dê espaço na Paraíba para que se diga e consequentemente se discuta essa questão de muitos entre nós se acharem morenos, mulatos, pardos, jamais negros!

Alguém dirá que a abertura é causada pela fama de Chico César e sua coragem, outros resmungarão que muitas pessoas influentes já disseram essas mesmas palavras ao povo paraibano, sem que fossem ouvidas e respeitadas devidamente...

O que interessa mesmo, a essa altura dos acontecimentos, é que algo a mais aconteça após o discurso público de Chico César e sabemos que muita coisa, a partir dessa convocação geral, depende muito do compromisso dele.

Por enquanto, de tanto ouvir discursos, acho que devemos cobrar das autoridades a criação de uma Delegacia Policial para tratar especificamente da questão dos negros, assim como já ocorreu com os homossexuais e as mulheres organizadas. Meu pensamento vai até o Distrito Policial especializado considerando que nem mesmo a escola leva a sério o que pedimos a tanto tempo existe uma regulamentação dizendo que nossa história vire matéria na grade currícular, mas até agora nada aconteceu num setor fundamental como a Educação.

Se assim fosse feito, muitos jovens estudantes pessoenses seriam salvos da ignorância de vem gerando brutalidade em relação aos negros, e muitos deles não se sentiriam cidadãos de terceira classe, sub-gente de categoria inferior e, certamente, o Censor desenvolvido na capital paraibana daria uma virada exatamente na cor da pele da maioria de sua população.

Em João Pessoa nada acontece a favor dos negros, parece até que a gente não existe!

Chico César aparece na tevê recorrendo ao discurso de que a música que o povo brasileiro escuta tem origem nos terreiros e senzalas e galpões negros.Tudo bem, se repararmos que até jornalistas esclarecidos desconhecem essa informação elementar, toque básico.

Mas eu desejo bem mais que isso, nada de Disque Racismo que chama agressores pra conciliação e impõe mais humilhação ainda ao negro historicamente depreciado em João Pessoa!!!!!!!! Nada de conchavos com que sempre pisou no povo negro!

Estou contente, muito contente com o que vi na tevê. Entre surpreso e espantado, como se um milagre tivesse nos acontecido, embora saiba que não é nada disso. E por isso mesmo, quero assistir bem mais transgressões nessa cidade cheia de negros embranquecidos...

Como Chico César nos mostra mais uma vez que ser negro não contém pecado algum, já é um bom começo de uma próxima campanha coletiva...

Chico Noronha_ jornalista

agosto de 2009 - João Pessoa - Paraiba