A Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba – lançou no último dia 30 de julho a Campanha de Promoção da Identidade Negra na Paraíba. Durante o evento foram apresentados os produtos de divulgação da campanha e hpuve apresentação da cantora Cátia de França e de grupos regionais. O lançamento aconteceu no Cine Bangüê, no Espaço Cultural, às 19h, em João Pessoa, capital da Paraíba.
A campanha visa elevar a auto-estima da população negra no estado, afirmar a identidade negra e recuperar a sua contribuição para o desenvolvimento local e no enfrentamento das discriminações que ainda hoje a população negra enfrenta no dia-a-dia.
Em muitos setores como escolas e universidades discutir questões raciais gera constrangimentos e reações negativas. A maioria da população negra em nosso estado reflete essa cultura de negação e tem dificuldades ou até mesmo rejeita assumir publicamente suas raízes africanas.
Alguns dados ajudam a compreender que a igualdade racial ainda não foi atingida. É fato que muitos avanços já foram percebidos, mas ainda existem muitos desafios a serem enfrentados, que estão diretamente relacionados ao contexto histórico de exclusão social em que a população negra está inserida.
O racismo brasileiro é camuflado, o que dificulta as ações anti-racismo. Uma pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo revela que 87% dos brasileiros reconhecem que há racismo no Brasil. Curiosamente, 96% não se assumem como racistas (Manual dos Diálogos contra o Racismo). Mas apesar de “invisível” o preconceito gera vítimas.
A população negra na Paraíba é maioria, mas não se encontra representada de forma igualitária nas universidades nem no mercado de trabalho. Segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio) 2007 a população da Paraíba era de 3.655.000 de pessoas das quais 1.334.000 de brancos, 2.316.000 de negros (pretos e pardos), isso significa 36,5 % de brancos e 63,3 % de negros.
A última análise das condições de vida da população brasileira, realizada em 2008 pelo IBGE, revelou que apenas 5,3% das pessoas com idades entre 18 e 25 anos que freqüentam o ensino superior são pretas ou pardas. Na Paraíba a renda média de um trabalhador negro é de 1,3 salário mínimo, enquanto do trabalhador branco é de 2,7 salários.