quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Posse na Paraíba terá canto sagrado do candomblé

fotos: ClickPB/Fabiana Veloso

Mãe Renilda 

Mãe Jackeline
 Pai Erivaldo
 Mãe Chaguinha e Mãe Tuca
Mãe Lúcia Omidewa


O INTECAB-PB INFORMA

A TODOS E TODAS.

Pela primeira vez na historia da Paraíba, a religião de matriz africana foi convidada na pessoa do sacerdote Erivaldo D´Osun, a participar das solenidades alusivas a posse de Ricardo Vieira Coutinho, no cargo de governador do Estado e junto com outras religiões conduzirá a celebração ecumênica que será realizada na Estação Cabo Branco – Ciências, cultura e Arte, às 11h00min do dia primeiro de janeiro de 2011.

Fará parte também desta celebração, junto com o sacerdote Erivaldo D´Osun as sacerdotisas Lúcia D´Omidewa, Renilda D´Osossi, Chaguinha D´Osun, Jackeline D´Osun, Tuca D´Osaguiã e Isabel D´Acorodan. No momento será cantado “Ônísa awuré” em evocação a Olóòrun para pedir suas bênçãos ao Governador empossado e em extensão a todo povo paraibano.

Motumba
Axe a Todos e todas.

Coordenação INTECAB-PB


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ricardo põe "minorias" num mesmo saco

foto: Fabiana Veloso






















O governador eleito, Ricardo Coutinho (PSB), pretende concentrar a gestão de políticas públicas para as chamadas "minorias" numa mesma secretaria-balaio, que passará a ser a Secretária de Estado das Mulheres e Diversidade Humana, saindo do comando de Douraci Vieira para as mãos de Iraê Lucena. Ricardo disse que está apenas transformando cargos. "Iremos atender também setores como a igualdade racial e a homofobia", declarou recentemente à imprensa local.
A re-engenharia administrativa é a demonstração clara de que a Secretaria da Reparação e da Promoção da Igualdade Racial, reivindicada há décadas pelo movimento negro local, não está nas metas do novo governo socialista.
Ativistas do campo da igualdade racial na Paraíba temem que Ricardo repita a visão "generalista" que impôs aos movimentos sociais das chamadas "minorias" na sua gestão municipal na capital paraibana. "Esse grupo costuma priorizar políticas públicas menos específicas, para abranger um campo social mais amplo, que acaba por negar as bandeiras históricas dos principais segmentos, como negros, índios, ciganos, mulheres e o movimento LGBTT. Não é viável colocar questões tão complexas sob um mesmo regime administrativo, especialmente quando sabemos que a titular que vai responder pela pasta não está familiarizada com as pautas dos movimentos sociais", comenta o jornalista Dalmo Oliveira, um dos fomentadores do FOPPIR.
Oliveira lembra que estados como Pernambuco e Bahia possuem, há anos, secretarias específicas de promoção da igualdade racial. "A nova ministra da SEPPIR é ex-secretaria na Bahia. Estamos muito defasados nessa área. A sociedade paraibana sequer iniciou uma discussão mais séria sobre reparação e racismo", analisa o ativista do campo da saúde da população negra e conselheiro-titular no CEPIR-PB.
Ele diz que no nível federal existem recursos abundantes para essas políticas públicas. "Está na hora de o estado da Paraíba começar a investir com mais responsabilidade e pro-atividade também na promoção da igualdade étnica e racial", defende Dalmo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Baixinha Helci: Crianças participam da Campanha Unicef contra o ra...

Baixinha Helci: Crianças participam da Campanha Unicef contra o ra...: "O lançamento da Campanha “Por uma infância sem racismo” em Alagoas aconteceu na Serra da Barriga, berço da liberdade e palco da resistênc..."

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Yalorixá paraibana tem encontro com presidente Lula

Numa de suas últimas viagens à Brasília, a Iyá Lúcia Omidewá, participou de um evento nacional sobre segurança alimentar que teve a presença especialíssima do presidente Lula. O evento ocorreu no Hotel Nacional no final de novembro e Mãe Lúcia participou representando a Rede de Mulheres de Terreiro. Na Paraíba, a zeladora de Oxum é uma das pioneiras em ações de segurança alimentar junto à comunidade do Santo, com a distribuição, através do Ylê Axé Omidewá, de cestas-básicas para famílias carentes ligadas às religiões do candomblé, da umbanda e da jurema. "O presidente é um cara muito amável e atencioso e fez questão de posar para fotos conosco naquela ocasião", lembra Mãe Lúcia. A foto com o presidente da República foi divulgada no Blog do Planalto.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Procuradores da República recebem denúncias de religiosos de matriz africana da Paraíba

Procuradores ouvem reclamações de Mãe Lúcia (foto: Fabiana Veloso)


Representantes de entidades ligadas às religiões de matriz africana na Paraíba foram ouvidos nesta terça-feira, dia 8, pelo Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Duciran Farena. A reunião aconteceu às 15 horas na sede da Procuradoria da República, em João Pessoa, e contou com a presença de 18 pessoas e 12 entidades.
Farena pediu sugestões sobre que ações poderiam ser movidas pela PRDC tendo em vista as manifestações de intolerância religiosa e racismo praticadas durante o segundo turno eleitoral na Paraíba. Um das primeiras sugestões levantadas pelos representantes das entidades civis foi a de que os patrocinadores das ofensas fossem condenados a financiar campanhas educativas nos meios de comunicação do estado, afim de esclarecer as características das diversas religiões e credos afrobrasileros, como o candomblé, a umbanda e o culto à jurema.
Religiosos e ativistas compareceram à Procuradoria da República (foto: Fabiana Veloso)

Outra sugestão foi a criação de uma comissão mista para acompanhar os desdobramentos das ações criminais contra os promotores das ofensas. Os ativistas religiosos e do movimento negro exigem direito de resposta a ser garantido pela Justiça Eleitoral, com recursos oriundos das coligações partidárias que disputaram as eleições de 2010 na Paraíba.
As lideranças também denunciaram a veiculação de um vídeo considerado difamatório pelo blog do jornalista Décio Alcântara e pediram providências cabíveis contra o profissional responsável pelo blog. O professor universitário Antonio Novaes, que também atua no Instituto de Referência Étnica (IRE), relatou ao procurador Farena que, depois que sua imagem foi disseminada nos panfletos apócrifos para atacar o candidato da Coligação “Por Uma Nova Paraíba”, Ricardo Coutinho (PSB), percebeu o aumento de preconceito em seu ambiente profissional, inclusive notando que pessoas passaram a evitar estar em sua companhia.
A yalorixá Mãe Renilda de Oxossi, foi, certamente, a pessoa mais prejudicada com a sórdida campanha contra as religiões de matriz africana durante a última eleição. Ela disse na audiência que, depois do ocorrido, tem sofrido ofensas verbais nas ruas.
Outra sacerdotisa do candomblé local, Mãe Lúcia Omidewa, também registrou o uso indevido de sua imagem associada a material impresso apócrifo, ligando suas atividades religiosas à candidatura da Coligação “Paraíba Unida”.
A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Particular (Sinteenp), Ana Júlia Soares Cardoso, sugeriu que o Ministério Público Federal (MPF) desencadei ações de cobrança para que as escolas públicas e privadas da Paraíba agilizem a implementação da Lei 10.639, que prevê inclusão de disciplinas sobre a cultura e história da África nos currículos escolares.
O procurador Duciran Farena, ressaltou que muitas das reclamações e denúncias ali apresentadas deveriam ser levadas aos MPF e ao Ministério Público estadual, para evitar atropelamento de competências Ele lembrou também que os crimes eleitorais estão sendo investigados pela Polícia Federal.
Farena se comprometeu, porém, em abordar, no âmbito da PRDC, as questões ligadas à falta de políticas públicas na Paraíba em prol da promoção da igualdade racial e da divulgação da diversidade cultural paraibana. O procurador se mostrou, no entanto, contrário a qualquer medida que signifique a judicialização das demandas apresentadas pelos movimentos sociais negros.
O Procurador Regional Eleitoral, Werton Magalhães, se juntou ao grupo já perto do término da reunião e concordou com os encaminhamentos sugeridos, especialmente com relação ao pleito de cessão de horário da propaganda partidária em rádio e TV para o direito de resposta das representações das religiões de matriz africana no estado.
Ficou acertado ainda que o MPF deverá oficiar Estado e municípios da Paraíba acerca do cumprimento à Lei 10.639, nas escolas públicas. Também ficou compromissado a convocação de representantes da próxima gestão do Executivo Estadual para discussão de políticas públicas educacionais e culturais direcionadas à comunidade afroparaibana. A PRE também se comprometeu em convocar os partidos políticos para tratar sobre o uso da propaganda partidária na divulgação de esclarecimentos sobre a religiosidade de matriz africana na Paraíba, na perspectiva do combate à intolerância religiosa.
A reunião contou com representantes das seguintes entidades: Articulação da Juventude Negra na Paraíba, Organização de Mulheres Negras na Paraíba (Bamidelê), CENARAB-PB, Grupos de Mulheres de Terreiro Yalodé, Federação Independente de Cultos Afrobrasileiros do Estado da Paraíba (FICAB), Instituto de Referência Étnica (IRÊ), Movimento Negro Organizado da Paraíba (MNOPB), Núcleo de Estudantes Negras e Negros da UFPB (NENN), Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afrobrasileira (Intecab), Casa de Cultura Ilê Axé Omidewá, SINTEENP e Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária no Estado da Paraíba (ABRAÇO-PB).

sábado, 6 de novembro de 2010

Caminhada marcará protesto contra intolerância religiosa

 Religiosos e líderes vinculados a diversos matizes de religiões de matriz africana da Paraíba participam neste sábado do evento 1ª Caminhada pela Liberdade Religiosa e Resistência, Jurema, Umbanda e Candomblé na Paraíba, uma realização do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileiro (INTECAB-PB). Amanhã o evento será encerrado com a realização de uma caminhada, a partir das 8 horas, saindo do Busto de Tamandaré, em Tambaú, até a Praça de Iemanjá, na praia do Cabo Branco.
Na parte da manhã, a primeira mesa discutiu o tema “Intolerância religiosa”, com falas de Marcos Resende (CEN), Pai Carlos (FICAB), Vania Fonseca (Bamidelé) e Fátima de Iemanjá (SP). Resende defende a criação de um fórum nacional das religiões de matriz africana, nos moldes do que é a CNBB hoje para os católicos. Pai Carlos ressaltou a importância do respeito interreligioso. Ele citou um episódio que viveu em Salvador, quando precisou registrar um boletim de ocorrência foi perguntado sobre sua religiosidade e respondeu que era candomblé e o policial respondeu que era seita e não religião. Vania lembrou que Paraíba realiza evento de religiões dos orixás desde 1999 e caminhadas de juremeiros.
O evento deve discutir também temas como meio ambiente e educação, com especificidade à Lei 10.639, que institui o ensino de cultura afrobrasileira nas escolas. O evento tem o apoio da
Federação Independente dos Cultos afros Brasileiros do Estado da Paraíba (Ficab), Cenarab/PB, Centro de Cultura Ilê Axé Omindewá, Casa de Cultura Ilê Axé Osaguiã, Ilê Tata do Axé, Federação de Cultos Afro Brasileiro, Ilê Axé Omilodé, Grupo de Mulheres Yalodê, Central Umbandista, Cruzada Federativa de Umbanda, Federação dos Cultos Paraibanos de Umbanda, Candomblé e Jurema, Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR), Associação Afrocultural Bessen Dan, Casa de Cultura Omideyin, Ilê Asé Osun Odenitá, Ilê Axé Ode Ta Ofa Si Iná, Templo de Magia, K´ué Axé Osun Opará, K´ué Axé Oya Onira, Ilê Asé Osun Yaboto, Ilê Ajagunan Axé Odó Ti Fádáká, Rede de Mulheres de Terreiro, Juventude Negra da Paraíba, Bamidelé - Organização de Mulheres Negras na Paraíba, Funjope (PMJP), Seppir, Centro de Cultura Oyaféfé – IAOF, Terreiro Ogum Beira-Mar, Ilê Asé Airá, Ilê Asé Osun- Opará, Ilê Axé Ode Ofa Onã.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Conselheiros do CEPIR tomam posse





Conselheiros dos direitos dos idosos e da promoção da igualdade racial tomaram posse na última sexta, 9, no auditório da FECOMERCIO em João Pessoa. O evento foi promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Humano (SEDH), com a presença da secretária Gilcélia Figueiredo, que fez um discurso emocionado contra as discriminações.O pastor Estevam Fernandes, da Primeira Igreja Batista, e o curador de Cidadania Gualberto Lira também prestigiaram o evento que contou com uma grande e atenta platéia.Fernandes mostrou-se surpreso com a organização de representantes de vários matizes de religiões de origem africana e indígena na Paraíba. Ele quis saber os significados dos cargos na hierarquia religiosa do candomblé, como ekedis, ebomis e outras denominações. A secretária Gilcélia também quis saber quais as principais religiões afrobrasileiras com adeptos na Paraíba. Ela recebeu a explicação que era o candomblé, a a umbanda e a jurema.

O líder evangélico também manifestou interesse em receber mais informaçãoes sobre a doença falciforme, uma hemoglobinopatia que atinge mais fortemente a população afroparaibana, citada no discurso do jornalista Dalmo Oliveira, coordenador-geral da Associação Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH), que representou os demais conselheiros eleitos pelos movimentos sociais negros do estado na composição da mesa do evento.
"Vamos estar atentos na cobrança da implementação das políticas públicas já previstas no Estatuto da Igualdade Racial, recentemente aprovado no Congresso Nacional, no sentido de que a Paraíba alcance o patamar de estados como Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, onde essas políticas públicas já estão mais avançadas", disse Oliveira. A SEDH deve marcar para os próximos dias a primeira reunião ordinária do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial.


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Conselho Curador da EBC: sem diferença



Ana Alakija* e Sionei Ricardo Leão**
(pela Comissão Nacional de  Jornalistas Pela Igualdade Racial)

O presidente Lula tem o direito de fazer as suas escolhas. Da nomeação de seus colaboradores imediatos à decisão de quem deve disputar o comando da nação pela sua coligação partidária, como seu sucessor.  Mas quando se trata de ocupação de espaço público por representantes da sociedade civil num regime democrático, presume-se que esse deva ser regido por alguns princípios. Semana passada ele usou de suas prerrogativas para nomear novos membros para o Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunicação: dois representantes de interesses patronais e de trabalhadores da mídia, (ambos homens) e uma mulher – indicativos aparentes de critérios de  “conciliação de interesses de classe” e  “gênero”.  Com essa fórmula “democrática e simples”, o presidente Lula excluiu a possibilidade de ter no CC da EBC uma representação qualificada de gênero e raça ao mesmo tempo.

A EBC é um dos órgãos que regem a comunicação pública do país, formada pela TV Pública, 8 emissoras de rádio e 1 radioagência, e gerida por um Conselho Curador - o espaço de participação da sociedade em sua gestão, composto por 22 membros, sendo 15 da sociedade civil.  Este ano, desde que foi criada em 2007, a empresa lançou, pela prmeira vez, um edital para receber indicações da sociedade para preenchimento de 3 vagas de mandatos expirados.

Longe de desferir qualquer dúvida sobre a capacidade, respeito e reconhecimento dos 3 nomes escolhidos pelo presidente da República, dentre os 9 que recebeu em 3 listas tríplices: o jornalista Mário Augusto Jakobskind, do conselho editorial do jornal Brasil de Fato, indicado pela Associação Brasileira de Imprensa; o engenheiro Takashi Tome, da Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpqD), indicado por 12 entidades; e a jornalista Ana Veloso, professora da Universidade Católica de Pernambuco, a mais votada, indicada por 15 entidades.

Mas apesar também da forte rede social de apoio a suas candidaturas e de expressiva votação entre 47 nomes indicados por 65 organizações diversas, duas concorrentes em lista tríplice, com respeitáveis biografias, membros de fóruns de comunicação, ficaram de fora: as jornalistas Jacira Silva, integrante da Comissão Nacional de Jornalistas Pela Igualdade Racial (Cojiras), indicada por 10 entidades; e Nilza Iraci Silva, presidenta do Geledés (ONG criada sob a inspiração da antiga sociedade de poder de mulheres africanas equivalente à Ogboni, dos homens africanos, por sua vez equivalente à Maçonaria no Ocidente), indicada por 7 entidades. Iraci foi finalista do Prêmio Internacional de Trabalho Social pela Comunicação no Festival Internacional de Jornalismo (Umbria).

Jacira ou Nilza poderiam fazer a diferença no CC da EBC. A presença delas no colegiado representaria um alento contra um contexto em que meios de comunicação continuam a estigmatizar a população afrodescendente alimentando o imaginário da população brasileira com a disseminação de idéias de existência de uma superioridade racial. Essa realidade vem se perpetuando com o negro como mero objeto na notícia e na indústria do entretenimento, vinculado à marginalidade social onde é maioria e pela presença rara de profissionais negros pautando e ou apresentando notícias.

Inquestionável que o governo Lula adotou políticas públicas de ações afirmativas, a exemplo da criação de novas estruturas, como a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).  Houve avanços de marcos legais com as cotas em universidades públicas, a obrigatoriedade do ensino da história da África nas escolas e a política de titulação e demarcação de terras quilombolas. Mas na questão CC-EBC, a caneta do presidente deixou em segundo plano parte das aspirações por políticas públicas de comunicação inclusivas, defendidas pelo movimento Enegrecer Confecom na Conferência Nacional de Comunicação – realizada em dezembro 2009 – quando foram aprovadas por consenso as mais de 100 propostas que dizem respeito à promoção na mídia da diversidade cultural, religiosa, étnico-racial, de gênero, orientação sexual e outras no GT 15, que discutiu cidadania, direitos e deveres.

Lamentamos a lacuna que, se preenchida, alavancaria políticas púbicas compensatórias e afirmativas na esfera da comunicação, no sentido de dar visibilidade cidadã a segmentos sociais historicamente alijados. Também pontuamos que a sociedade brasileira perdeu a oportunidade de dar um passo a mais para enfrentar o racismo institucional, que tem tido efeitos perversos sobre a população e especialmente sobre as mulheres negras.


* Editora Geral da Alaionline; ** Repórter de Política do Jornal de Brasília  e membros da COJIRA

terça-feira, 11 de maio de 2010

I SEMINÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE INTEGRAL DA POPULAÇÃO NEGRA

foto: Rodolfo Cançado














Data:  17 e 18 de maio
Local: João Pessoa
Público: 200 pessoas

DIA 17   
09 horas - Abertura Oficial  
    ·        Governador do Estado da Paraíba
    ·        Secretário de Saúde do Estado
    ·        Secretária de Saúde do Município de João Pessoa
    ·        Secretários de Desenvolvimento Social do Estado e do Município de JP
    ·        Representante da Assembléia do Estado
    ·        Curadoria da Saúde do Estado/MP    
10    horas – Palestra: “Política Nacional de Saúde Integral da População Negra”
Palestrante: Ministro Elói Ferreira (Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igual Racial)
12 horas - Almoço  
14 horas – Mesa Redonda: “A promoção da Igualdade Racial e a Saúde da População Negra: desafios e perspectivas”  
Dra. Jacinta Senna (Coordenação-Geral de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social do Ministério da Saúde 
Dra. Maria Inês (Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra)
Coordenação de Mesa- Inês Maria da Silva  
15 horas - Debates  
16 horas - Mesa Redonda: “Situação da Saúde da População Negra no Estado da Paraíba”  
      Dra. Juliana Soares (GEAPE)
      Dra. Niedja Rodrigues Siqueira (GEAB)
      Dra. Joseneida T. Remígio (GEP)
      Dra. Cleane Toscano (GEVS)
      Dra. Patrícia Maria de Freitas (HEMOCENTRO)
      Sr. Leôncio Silva (Conselho Estadual de Saúde)
      Coordenação de Mesa: Cristina Katya  
17 horas - Debates  
 
DIA 18  
09 horas - Roda de diálogos: “A importância do Comitê Técnico da Saúde da População Negra  e o Controle Social”
     Walquíria Rodrigues (Comissão Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas/CECNEQ)
     - Yá Lúcia Omidewa (Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde)
     - Professor Doutor Antonio Novaes (UFPB/Instituto de Referências Étnicas-IRE)
     - Jornalista Dalmo Oliveira da Silva (ASPPAH/FENAFAL)
Coordenadora da Mesa: Fábia Barbosa   
11 horas – Grupos de Discussão (Implantação da Política Estadual de Saúde Integral da População Negra)  
GD 01 – Saúde da mulher negra e do homem negro e saúde reprodutiva
Facilitadora: Vera Barone (PE)
GD 02 – Combate ao racismo institucional
Facilitadora: Ebomy Conceição de Osùn (SP)
GD 03 – Promoção  e Educação permanente em saúde
Facilitadora: Denise Rinehart (Coordenadora do Núcleo de Participação e Controle Social do CONASEMS)
GD 04 – Controle social em saúde
Facilitadora: Mãe Kika de Bessem (CNPIR)
GD 05 – Saúde e saberes populares
Facilitadora: Maria Inês (Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra/MS)   
12 horas - Almoço  
14 horas: Continuação do trabalho nos Grupos de Discussão (Implantação da Política Estadual de Saúde Integral da População Negra)  
 
16 horas: Plenária Final: Apresentação das propostas dos GDs.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Maracatu embala negritude em Campina

 
          O Maracatu MaracaGrande é um Grupo de Maracatu que está nascendo em Campina Grande. Nosso maior objetivo é contribuir no processo de afirmação das referências culturais da nossa região, buscando resgatar raízes da cultura negra e acender o gosto da população campinense pelo Maracatu, Ciranda e demais manifestações tradicionais outrora presentes em toda Paraíba bem como no Nordeste, mas hoje em menor número devido a falta de interesse e prestígio, por conta do processo de importação cultural. Acreditamos no pensamento racional acerca dos valores culturais e, enfatizamos a importância de um grupo de raiz natural da cidade de Campina Grande para o fortalecimento da identidade cultural do nosso povo. 
As Inscrições para participar do Maracatu MaracaGrande estam abertas até 31 de Maio de 2010.  
Dias e Horários dos Ensaios:
Sextas-feiras: das 19 as 22 horas;
Domingos: das 16 as 19 horas;
Local:
CUCA - Centro Universitário de Cultura e Artes;
Rua: Paulo de Frontim – s/n – Catolé;
(as margens do Açude Velho);


Contato e Coordenação:
Thiago Barbosa (Tarta)
Fone: 83/8818-1178

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Movimentos sociais negros da Paraíba escolhem conselheiros do CEPIR



    Representantes de entidades negras da Paraíba escolheram no último sábado, 24, no auditório da Federação do Comércio (FECOMÉRCIO), os últimos cinco conselheiros (e seus respectivos suplentes) para a instalação do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR). A assembléia foi um requisito previsto na Lei Estadual nº  8.981, de 15 de dezembro de 2009, que institui o CEPIR.
     Os titulares escolhidos são a pedagoga Fátima Solange Cavalcanti, representante da Pastoral Afro-brasileira, o jornalista Dalmo Oliveira, coordenador-geral da Associação Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH),  Clariana Cendy, representante do Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR), a enfermeira Fernanda Benvenutty, da Associação dos Travestis da Paraíba (Astrapa) e o historiador Jair Silva, líder do Movimento Negro de Campina Grande.
     A plenária também escolheu cinco suplentes: Paulo César, do Centro de Estudos do Negro (CEN), da cidade de Sousa, o historiador Valber Almeida de Matos, da Associação Cultural, Educacional e Ambiental (ASCA), da cidade de Aparecida, Sandra Kalyne, presidente da Central Única das Favelas, sessão Paraíba (CUFA-PB), a jornalista Sonia Lima, coordenadora da ONG Liberta e o também jornalista Moisés Alves da Silva, do Movimento Negro de Campina Grande.
     O evento iniciou com uma mística de abertura, realizada por membros da Juventude Negra, ocorreu uma primeira mesa, com as falas institucionais da secretária de Estado Gilcélia Figueiredo (SEDH), da representante da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), Oraida Almeida e da conselheira Ebomy Conceição Reis de Ógùn, do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Intecab) representando o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR). A mesa foi coordenada por Maria Marques, da coordenadoria dos Movimentos Sociais da SEDH.
     Em seguida, outra mesa foi montada com convidados que falaram da história e lutas dos movimentos sociais negros no estado da Paraíba. O primeiro convidado desta mesa foi o coordenador da ONG Malungus, Carlos Henriques, que fez um detalhado histórico do movimento negro, relembrando antigos  militantes fundadores e os momentos históricos deste segmento social no estado e no país.
     Em seguida, falou a advogada Luciene Araújo, membro da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica, secção Paraíba. Ela falou da consolidação dos conselhos de direitos da sociedade civil organizada e da importância do controle social nestas instâncias.
     Por último falou o geneticista Antonio Novaes, da Universidade Federal da Paraíba e do Instituto de Referências Étnicas (IRE), abordando, principalmente, a questão das políticas afirmativas para negros dentro das universidades públicas. A mesa foi coordenada pela historiadora e professora da Universidade Estadual da Paraíba, Vania Fonseca.
     O momento tenso da plenária ocorreu quando da votação do regulamento interno da assembléia. Para coordenar os trabalhos foram convidados Oraida Almeida, Ebomy Conceição e o ativista Vandinho de Carvalho. O primeiro impasse se deu quando se tentava discutir critérios de credenciamento para participação no evento. Representantes da ONG Bamidelê contestaram a presença de representantes de religiões de matriz africana e de capoeiristas. Depois de uma longa sucessão de falas, apartes e questões de ordem, a mesa coordenadora teve dificuldades para concluir os trabalhos, mas no final prevaleceu o bom senso, e a escolha dos conselheiros pode ser concluída, com a disputa entre duas chapas compostas de dez pessoas cada uma.
     A chapa vencedora, articulada em torno do Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR), obteve 47 votos, enquanto a chapa articulada pelas entidades que compõem o Movimento Negro Organizado da Paraíba (MNOPB), obteve apenas 16 votos.
     O CEPIR será composto, em sua totalidade, por 24 conselheiros, sendo 12 indicados diretamente pelo governo estadual e 12 indicados pelos movimentos sociais negros, pelas comunidades tradicionais negras, povos indígenas e povos ciganos. 

foto: Dalmo Oliveira
foto: Flauber



























foto: Dalmo Oliveira





Na foto de cima,a mesa com as autoridades: Gilcélia Figueiredo  e Mariah Marques (SEDH), Oraida Almeida (SEPPIR) e Obamy Conceição (CNPIR); Na imagem do meio alguns dos conselheiros escolhidos: Paulo, Dalmo, Moiséis, Jair, Walber, Fátima e Fernanda; Embaixo, Antonio Novaes (UFPB), Vania Fonseca (UEPB), Luciene Araújo (ABMJ) e Carlos Henriques da Malungos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Movimentos sociais negros escolhem representantes para CEPIR


foto: Dalmo Oliveira












Representantes de entidades negras da Paraíba participam, neste sábado, 24, a partir das 8 horas, no auditório da Federação do Comércio (Fecomércio), da assembléia de escolha de cinco conselheiros para a instalação do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR). A referida assembléia está prevista na Lei Estadual nº 8.981, de 15 de dezembro de 2009, que institui o CEPIR.



Os organizadores estão prevendo a participação de cerca de 150 militantes dos movimentos sociais negros do estado. “O credenciamento ocorrerá mediante apresentação de documento da entidade designando o representante para a assembléia. As entidades interessadas em participar do processo não precisam ser constituídas como pessoas jurídicas, mas devem ser reconhecidas legitimamente como instituição que atua na promoção da igualdade racial e do combate ao racismo”, diz Goreth da Silva, da comissão organizadora do evento.


Os participantes terão no primeiro momento da plenária falas de convidados da Secretaria do Desenvolvimento Humano (SEDH), que promove o evento, abordando as finalidades do CEPIR. Em seguida, os presentes devidamente credenciados deverão aprovar o regulamento formal da assembléia, onde se definirá os critérios de elegibilidade dos interessados em disputar as vagas do novo conselho.


A composição de chapas e apresentação dos disputantes ocorrerá depois do intervalo do almoço. “A idéia é que as pessoas interessadas mostrem à plenária um pouco do seu currículo junto ao movimento negro. Explique porque sua entidade tem interesse em participar do CEPIR e quais suas propostas para o fomento de políticas públicas nessa área”, explica Goreth.


A plenária vai escolher cinco titulares e cinco suplentes, garantindo-se o equilíbrio de gêneros. As cinco vagas se destinarão a militantes que atuam, principalmente, nos seguintes eixos temáticos: educação, saúde, cultura, mulheres e juventude. Um titular e um suplente para cada uma dessas sub-áreas serão indicados da assembléia.


O CEPIR será composto, em sua totalidade, por 24 conselheiros, sendo 12 indicados diretamente pelo governo estadual e 12 indicados pelos movimentos sociais das comunidades negra, índia e cigana. Capoeiras, quilombolas e religiosos de matriz afrobrasileira serão escolhidos em reuniões específicas destes segmentos.


SERVIÇO


LOCAL: Auditório da Fecomércio da Paraíba


ENDEREÇO: Rua Desembargador Souto Maior, 291 - Centro - 2º andar - Edifício Ruy Bezerra Cavalcanti


HORÁRIO: DAS 8H ÀS 18H






sábado, 10 de abril de 2010

Religiosos de matriz africana escolhem integrantes do CEPIR

Cerca de 80 pessoas ligadas às casas religiosas de matriz africana na Paraíba participam durante todo dia de hoje, na Escola dos Servidores Públicos do Estado da Paraíba (ESPEP), de uma plenária de escolha de dois representantes e respectivos suplentes para comporem o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR).

Pela manhã ouve a leitura da lei que regulamenta o Conselho e do regulamento para funcionamento da plenária. As candidaturas foram registradas no intervalo do almoço. No turno da tarde foram feitas falas explicando o funcionamento do CEPPIR. Em seguida os candidatos apresentaram seus currículos e intenções.

A primeira votação, em obediência ao critério de paridade de gêneros, escolheu a Mãe Jacqueline de Oxum, como titular, com 65 votos, sua suplente será a Ekede Goreth, que obteve 18 votos. A Ekede Valquíria também disputou tendo obtido apenas seis votos.

fotos: Mariah Marques


















Mãe Jacqueline foi escolhida como 
titular representando os terreiros


Na segunda vaga, pela representação masculina, o escolhido foi o Pai Erivaldo com 53 votos. Pai Vamberto ficou na suplência, com 34 votos e o Pai Eudes ficou na terceira colocação com três votos.






















Pai Erivaldo (blusa azul) e Pai Vamberto
foram escolhidos como titular e suplente
respectivamente

terça-feira, 30 de março de 2010

UFPB terá cotas socias e raciais já no próximo vestibular



foto: Dalmo Oliveira

Consepe aprova cotas para ingresso na UFPB

A reserva de vagas se destina aos estudantes que cursaram o ensino médio e pelo menos três séries do fundamental em escolas públicas
O Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da UFPB aprovou, por 20 votos favoráveis, 2 contrários e 3 abstenções, a proposta de ações afirmativas correspondentes à reserva de vagas para acesso aos cursos de graduação da Universidade.
No Consepe, coube à professora Maria Creusa, do Centro de Educação, emitir parecer sobre a proposta encaminhada pela UFPB, por meio da Pró-reitoria de Graduação.
Pela proposta, a reserva de vagas se destina aos estudantes que cursaram todo o ensino médio e pelo menos três séries do ensino fundamental em escolas públicas, obedecendo a seguinte escala: 25% das vagas de todos os cursos para 2011; 30% das vagas de todos os cursos para 2012; 35% das vagas de todos os cursos para 2013; 40% das vagas de todos os cursos para 2014.
As cotas têm primeiro, recorte social e, segundo, recorte étnico-racial, de modo que cada segmento - populações negra e indígena e portadores de deficiência - terá o percentual correspondente a sua representação no Estado da Paraíba, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
SEMINÁRIO - Essa proposta foi apresentada pelo reitor Rômulo Polari durante o seminário “Políticas de cotas na UFPB? Um debate necessário”, realizado em novembro passado com o apoio da Pró-reitoria de Graduação e da Comissão de Apoio à Gestão Reuni, como atividade dos projetos do Programa de Licenciatura (Prolicen): “Educação superior e ações afirmativas, análises e perspectivas”, do Departamento de História, e “Políticas de cotas na UFPB: concepções de professores e alunos”, do curso de Pedagogia.
O evento serviu para fomentar o debate sobre as políticas de ações afirmativas no ensino superior, visando à implementação de uma política de inserção social na UFPB.
Na abertura do seminário, o pró-reitor de Pesquisa e Ensino de Pós-graduação da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Wilson Roberto Mattos, proferiu conferência sobre as políticas de cotas no Nordeste, destacando os aspectos históricos e econômicos que justificam as políticas de ações afirmativas para segmentos historicamente excluídos, como ocorre com a população negra.
O reitor da UFPB, Rômulo Polari, e o procurador do Ministério Público Federal, Duciran Farena, participaram de uma mesa-redonda sobre o assunto, juntamente com o pró-reitor da Uneb, Wilson Roberto Mattos.
Em outra mesa-redonda, composta pelo pró-reitor de Graduação, Valdir Barbosa Bezerra, pela representante da Comissão do Reuni, Uyguaciara Castelo Branco e pelo pró-reitor da Uneb, Wilson Roberto Mattos, os gestores da UFPB se posicionaram favoráveis as cotas sociais, levando em consideração o pertencimento étnico-racial, face as desigualdades sociais existentes no Brasil. O professor Wilson Mattos apresentou a exitosa experiência de sete anos de políticas de cotas na graduação e na pós-graduação da Uneb.
Durante o seminário, ocorreram os Espaços de Diálogos com presença de estudantes, professores e demais interessados. Uma atividade cultural, com o Grupo de Cultura Negra Alebá Alafin.
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Fonte: Agência de Notícias UFPB

sábado, 27 de março de 2010

Movimento social negro e religiosos de matriz africana escolhem membros do CEPIR-PB

Nos dias 9 e 10 de abril militantes dos movimentos sociais negros e religiosos de matriz africana no estado da Paraíba realizam plenária para escolher sete representantes que comporão o Conselho Estadual de Promoção Racial da Paraíba (CEPIR-PB).
No dia nove, na ESPEP, em Mangabeira, acontece a plenária dos movimentos sociais, que poderão escolher cinco representantes e igual número de sumplentes para compor o CEPIR. Eles deverão escolher pessoas com reconhecida atuação nos seguintes eixos: saúde, educação, cultura, mulheres e juventude.
No dia seguinte é a vez dos religiosos dos Terreiros que poderão escolher dois representantes.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Roda de diálogo: "Mulheres na Luta Contra o Racismo".

foto: fabiana veloso














Local: Casarão 34 - Centro (em frente a praça do bispo)



Data: 26 de março de 2010 (nesta sexta-feira)



Horário: 17h



A Campanha MULHERES NA LUTA CONTRA O RACISMO, está pensada em 3 momentos durante o ano, dando visibilidade de diferentes mulheres que tem incorporado na sua postura/atuação/ação/prática a luta contra o racismo.



1º - março em referência ao Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial e ao dia Internacional da Mulher

2º - agosto - aniversário da cidade - Campanha Mulheres Fazendo Historia, Patrimônio da Cidade

3º - novembro - Mês da Consciencia Negra



(na ocasião estaremos homenageando oito mulheres negras que tem tido uma atuação signiificativa no combate ao racismo na nossa cidade)





Realização: Prefeitura Municipal de João Pessoa, através da Assessoria de Políticas Públicas para Diversidade Humana/SEDES e Coordenadoria de Políticas Púlicas para as Mulheres.

terça-feira, 23 de março de 2010

Assembléia geral das comunidades tradicionais de Terreiros da Paraíba

foto: dalmo oliveira

religiosos de matriz africana escolherão representate para o conselho estadual


A comissão organizadora da assembléia geral das comunidades tradicionais de Terreiros da Paraíba convida os representantes das comunidades tradicionais de terreiros do estado da Paraíba, para participar da assembléia geral de escolha de representantes, para compor o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial – CEPIR, de acordo com a lei estadual n: 8993 de 15 de dezembro de 2009.  Segundo Iyá Giselia Ribeiro, uma das organizadoras do evento, o candidato a conselheiro (a), deverá comprovar 7(sete) anos de feitura, com casa ativa, através de declaração. "Será uma honra recebe-los, contamos com sua presença. Vamos à luta, pelos nossos direitos", diz Giselia.


Data: 10 de Abril de 2010
Horário: 08:00hs as 17:00hs
Local: Auditório ESPEP – Escola do Servidor Publico do Estado da Paraíba
Endereço: Neusa de Sousa Sales, Sn – Mangabeira VII – João Pessoa – PB.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Parecer de Luis Felipe de Alencastro no STF sobre cotas

Parecer sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, ADPF/186, apresentada ao Supremo Tribunal Federal



Luiz Felipe de Alencastro

Cientista Político e Historiador

Professor titular da cátedra de História do Brasil da Universidade de Paris IV Sorbonne



No presente ano de 2010, os brasileiros afro-descendentes, os cidadãos que se auto-definem como pretos e pardos no recenseamento nacional, passam a formar a maioria da população do país. A partir de agora -, na conceituação consolidada em décadas de pesquisas e de análises metodológicas do IBGE -, mais da metade dos brasileiros são negros.



Esta mudança vai muito além da demografia. Ela traz ensinamentos sobre o nosso passado, sobre quem somos e de onde viemos, e traz também desafios para o nosso futuro.



Minha fala tentará juntar os dois aspectos do problema, partindo de um resumo histórico para chegar à atualidade e ao julgamento que nos ocupa. Os ensinamentos sobre nosso passado, referem-se à densa presença da população negra na formação do povo brasileiro. Todos nós sabemos que esta presença originou-se e desenvolveu- se na violência. Contudo, a extensão e o impacto do escravismo não tem sido suficientemente sublinhada. A petição inicial de ADPF apresentada pelo DEM a esta Corte fala genéricamente sobre “o racismo e a opção pela escravidão negra » (pp. 37-40), sem considerar a especificidade do escravismo em nosso país.



Na realidade, nenhum país americano praticou a escravidão em tão larga escala como o Brasil. Do total de cerca de 11 milhões de africanos deportados e chegados vivos nas Américas, 44% (perto de 5 milhões) vieram para o território brasileiro num período de três séculos (1550-1856). O outro grande país escravista do continente, os Estados Unidos, praticou o tráfico negreiro por pouco mais de um século (entre 1675 e 1808) e recebeu uma proporção muito menor -, perto de 560.000 africanos -, ou seja, 5,5% do total do tráfico transatlantico.[1] No final das contas, o Brasil se apresenta como o agregado político americano que captou o maior número de africanos e que manteve durante mais tempo a escravidão.

Durante estes três séculos, vieram para este lado do Atlântico milhões de africanos que, em meio à miséria e ao sofrimento, tiveram coragem e esperança para constituir as famílias e as culturas formadoras de uma parte essencial do povo brasileiro. Arrancados para sempre de suas famílias, de sua aldeia, de seu continente, eles foram deportados por negreiros luso-brasileiros e, em seguida, por traficantes genuinamente brasileiros que os trouxeram acorrentados em navios arvorando o auriverde pendão de nossa terra, como narram estrofes menos lembradas do poema de Castro Alves.

No século XIX, o Império do Brasil aparece ainda como a única nação independente que praticava o tráfico negreiro em larga escala. Alvo da pressão diplomática e naval britânica, o comércio oceânico de africanos passou a ser proscrito por uma rede de tratados internacionais que a Inglaterra teceu no Atlântico. [2]

O tratado anglo-portuguê s de 1818 vetava o tráfico no norte do equador. Na sequência do tratado anglo-brasileiro de 1826, a lei de 7 de novembro de 1831, proibiu a totalidade do comércio atlântico de africanos no Brasil.

Entretanto, 50.000 africanos oriundos do norte do Equador são ilegalmente desembarcados entre 1818 e 1831, e 710.000 indivíduos, vindos de todas as partes da África, são trazidos entre 1831 e 1856, num circuito de tráfico clandestino. Ora, da mesma forma que o tratado de 1818, a lei de 1831 assegurava plena liberdade aos africanos introduzidos no país após a proibição. Em conseqüência, os alegados proprietários desses indivíduos livres eram considerados sequestradores, incorrendo nas sanções do artigo 179 do «Código Criminal», de 1830, que punia o ato de “reduzir à escravidão a pessoa livre que se achar em posse de sua liberdade ». A lei de 7 de novembro 1831 impunha aos infratores uma pena pecuniária e o reembôlso das despesas com o reenvio do africano sequestrado para qualquer porto da África. Tais penalidades são reiteradas no artigo 4° da Lei de 4 de setembro de 1850, a lei Eusébio de Queirós que acabou definitivamente com o tráfico negreiro.

Porém, na década de 1850, o governo imperial anistiou, na prática, os senhores culpados do crime de seqüestro, mas deixou livre curso ao crime correlato, a escravização de pessoas livres.[3] De golpe, os 760.000 africanos desembarcados até 1856 -, e a totalidade de seus descendentes -, continuaram sendo mantidos ilegalmente na escravidão até 1888[4]. Para que não estourassem rebeliões de escravos e de gente ilegalmente escravizada, para que a ilegalidade da posse de cada senhor, de cada seqüestrador, não se transformasse em insegurança coletiva dos proprietários, de seus sócios e credores -, abalando todo o país -, era preciso que vigorasse um conluio geral, um pacto implícito em favor da violação da lei. Um pacto fundado nos “interesses coletivos da sociedade”, como sentenciou, em 1854, o ministro da Justiça, Nabuco de Araújo, pai de Joaquim Nabuco.

O tema subjaz aos debates da época. O próprio Joaquim Nabuco -, que está sendo homenageado neste ano do centenário de sua morte -, escrevia com todas as letras em “O Abolicionismo” (1883): “Durante cinqüenta anos a grande maioria da propriedade escrava foi possuída ilegalmente. Nada seria mais difícil aos senhores, tomados coletivamente, do que justificar perante um tribunal escrupuloso a legalidade daquela propriedade, tomada também em massa”[5].

Tal “tribunal escrupuloso” jamais instaurou-se nas cortes judiciárias, nem tampouco na historiografia do país. Tirante as ações impetradas por um certo número de advogados e magistrados abolicionistas, o assunto permaneceu encoberto na época e foi praticamente ignorado pelas gerações seguintes.

Resta que este crime coletivo guarda um significado dramático: ao arrepio da lei, a maioria dos africanos cativados no Brasil a partir de 1818 -, e todos os seus descendentes -, foram mantidos na escravidão até 1888. Ou seja, boa parte das duas últimas gerações de indivíduos escravizados no Brasil não era escrava. Moralmente ilegítima, a escravidão do Império era ainda -, primeiro e sobretudo -, ilegal. Como escreví, tenho para mim que este pacto dos sequestadores constitui o pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira.[6]

Firmava-se duradouramente o princípio da impunidade e do casuísmo da lei que marca nossa história e permanece como um desafio constante aos tribunais e a esta Suprema Corte. Consequentemente, não são só os negros brasileiros que pagam o preço da herança escravista.

Outra deformidade gerada pelos “males que a escravidão criou”, para retomar uma expressão de Joaquim Nabuco, refere-se à violência policial.

Para expor o assunto, volto ao século XIX, abordando um ponto da história do direito penal que os ministros desta Corte conhecem bem e que peço a permissão para relembrar.

Depois da Independência, no Brasil, como no sul dos Estados Unidos, o escravismo passou a ser consubstancial ao State building, à organização das instituições nacionais. Houve, assim, uma modernização do escravismo para adequá-lo ao direito positivo e às novas normas ocidentais que regulavam a propriedade privada e as liberdades públicas. Entre as múltiplas contradições engendradas por esta situação, uma relevava do Código Penal: como punir o escravo delinqüente sem encarcerá-lo, sem privar o senhor do usufruto do trabalho do cativo que cumpria pena prisão?



Para solucionar o problema, o quadro legal foi definido em dois tempos. Primeiro, a Constituição de 1824 garantiu, em seu artigo 179, a extinção das punições físicas constantes nas aplicações penais portuguesas. “Desde já ficam abolidos os açoites, a tortura, a marca de ferro quente, e todas as mais penas cruéis”; a Constituição também prescrevia: “as cadeias serão seguras, limpas e bem arejadas, havendo diversas casas para separação dos réus, conforme suas circunstâncias e natureza de seus crimes”.



Conforme os princípios do Iluminismo, ficavam assim preservadas as liberdades e a dignidade dos homens livres.



Num segundo tempo, o Código Criminal de 1830 tratou especificamente da prisão dos escravos, os quais representavam uma forte proporção de habitantes do Império. No seu artigo 60, o Código reatualiza a pena de tortura. “Se o réu for escravo e incorrer em pena que não seja a capital ou de galés, será condenado na de açoites, e depois de os sofrer, será entregue a seu senhor, que se obrigará a trazê-lo com um ferro pelo tempo e maneira que o juiz designar, o número de açoites será fixado na sentença e o escravo não poderá levar por dia mais de 50”. Com o açoite, com a tortura, podia-se punir sem encarcerar: estava resolvido o dilema.



Longe de restringir-se ao campo, a escravidão também se arraigava nas cidades. Em 1850, o Rio de Janeiro contava 110.000 escravos entre seus 266.000 habitantes, reunindo a maior concentração urbana de escravos da época moderna. Neste quadro social, a questão da segurança pública e da criminalidade assumia um viés específico.[7] De maneira mais eficaz que a prisão, o terror, a ameça do açoite em público, servia para intimidar os escravos.



Oficializada até o final do Império, esta prática punitiva estendeu-se às camadas desfavorecidas, aos negros em particular e aos pobres em geral. Junto com a privatização da justiça efetuada no campo pelos fazendeiros, tais procedimentos travaram o advento de uma política de segurança pública fundada nos princípios da liberdade individual e dos direitos humanos.



Enfim, uma terceira deformidade gerada pelo escravismo afeta diretamente o estatuto da cidadania.

É sabido que nas eleições censitárias de dois graus ocorrendo no Império, até a Lei Saraiva, de 1881, os analfabetos, incluindo negros e mulatos alforriados, podiam ser votantes, isto é, eleitores de primeiro grau, que elegiam eleitores de 2° grau (cerca de 20.000 homens em 1870), os quais podiam eleger e ser eleitos parlamentares. Depois de 1881, foram suprimidos os dois graus de eleitores e em 1882, o voto dos analfabetos foi vetado. Decidida no contexto pré-abolicionista, a proibição buscava criar um ferrolho que barrasse o acesso do corpo eleitoral à maioria dos libertos. Gerou-se um estatuto de infracidadania que perdurou até 1985, quando foi autorizado o voto do analfabeto. O conjunto dos analfabetos brasileiros, brancos e negros, foi atingido.[8] Mas a exclusão política foi mais impactante na população negra, onde o analfabetismo registrava, e continua registrando, taxas proporcionalmente bem mais altas do que entre os brancos.[9]



Pelos motivos apontados acima, os ensinamentos do passado ajudam a situar o atual julgamento sobre cotas universitárias na perspectiva da construção da nação e do sistema politico de nosso país. Nascidas no século XIX, a partir da impunidade garantida aos proprietários de indivíduos ilegalmente escravizados, da violência e das torturas infligidas aos escravos e da infracidadania reservada ao libertos, as arbitrariedades engendradas pelo escravismo submergiram o país inteiro.



Por isso, agindo em sentido inverso, a redução das discriminações que ainda pesam sobre os afrobrasileiros -, hoje majoritários no seio da população -, consolidará nossa democracia.



Portanto, não se trata aqui de uma simples lógica indenizatória, destinada a quitar dívidas da história e a garantir direitos usurpados de uma comunidade específica, como foi o caso, em boa medida, nos memoráveis julgamentos desta Corte sobre a demarcação das terras indígenas. No presente julgamento, trata-se, sobretudo, de inscrever a discussão sobre a política afirmativa no aperfeiçoamento da democracia, no vir a ser da nação. Tais são os desafios que as cotas raciais universitárias colocam ao nosso presente e ao nosso futuro.

Atacando as cotas universitárias, a ADPF do DEM, traz no seu ponto 3 o seguinte título « o perigo da importação de modelos : os exemplos de Ruanda e dos Estados Estados Unidos da América » (pps. 41-43). Trata-se de uma comparação absurda no primeiro caso e inepta no segundo.



Qual o paralelo entre o Brasil e Ruanda, que alcançou a independência apenas em 1962 e viu-se envolvido, desde 1990, numa conflagração generalizada que os especialistas denominam a « primeira guerra mundial africana », implicando também o Burundi, Uganda, Angola, o Congo Kinsasha e o Zimbabuê, e que culminou, em 1994, com o genocídio de quase 1 milhão de tutsis e milhares de hutus ruandenses?



Na comparação com os Estados Unidos, a alegação é inepta por duas razões. Primeiro, os Estados Unidos são a mais antiga democracia do mundo e servem de exemplo a instituições que consolidaram o sistema político no Brasil. Nosso federalismo, nosso STF -, vosso STF – são calcados no modelo americano. Não há nada de “perigoso” na importação de práticas americanas que possam reforçar nossa democracia. A segunda razão da inépcia reside no fato de que o movimento negro e a defesa dos direitos dos ex-escravos e afrodescendentes tem, como ficou dito acima, raízes profundas na história nacional. Desde o século XIX, magistrados e advogados brancos e negros tem tido um papel fundamental nesta reinvidicações.



Assim, ao contrário do que se tem dito e escrito, a discussão relançada nos anos 1970-1980 sobre as desigualdades raciais é muito mais o resultado da atualização das estatísticas sociais brasileiras, num contexto de lutas democráticas contra a ditadura, do que uma propalada « americanização » do debate sobre a discriminação racial em nosso país. Aliás, foram estas mesmas circunstâncias que suscitaram, na mesma época, os questionamentos sobre a distribuição da renda no quadro do alegado « milagre econômico ». Havia, até a realização da primeira PNAD incluindo o critério cor, em 1976, um grande desconhecimento sobre a evolução demográfica e social dos afrodescendentes.



De fato, no Censo de 1950, as estatísticas sobre cor eram limitadas, no Censo de 1960, elas ficaram inutilizadas e no Censo de 1970 elas eram inexistentes. Este longo período de eclipse estatística facilitou a difusão da ideologia da “democracia racial brasileira”, que apregoava de inexistência de discriminação racial no país. Todavia, as PNADs de 1976, 1984, 1987, 1995, 1999 e os Censos de 1980, 1991 e 2000, incluíram o critério cor. Constatou-se, então, que no decurso de três décadas, a desigualdade racial permanecia no quadro de uma sociedade mais urbanizada, mais educada e com muito maior renda do que em 1940 e 1950. Ou seja, ficava provado que a desigualdade racial tinha um carácter estrutural que não se reduzia com progresso econômico e social do país. Daí o adensamento das reinvidicações da comunidade negra, apoiadas por vários partidos políticos e por boa parte dos movimentos sociais.



Nesta perspectiva, cabe lembrar que a democracia, a prática democrática, consiste num processo dinâmico, reformado e completado ao longo das décadas pelos legisladores brasileiros, em resposta às aspirações da sociedade e às iniciativas de países pioneiros. Foi somente em 1932 -, ainda assim com as conhecidas restrições suprimidas em 1946 -, que o voto feminino instaurou-se no Brasil. Na época, os setores tradicionalistas alegaram que a capacitação política das mulheres iria dividir as famílias e perturbar a tranquilidade de nação. Pouco a pouco, normas consensuais que impediam a plena cidadania e a realização profissional das mulheres foram sendo reduzidas, segundo o preceito -, aplicável também na questão racial -, de que se deve tratar de maneira desigual o problema gerado por uma situação desigual.



Para além do caso da política de cotas da UNB, o que está em pauta neste julgamento são, a meu ver, duas questões essenciais.



A primeira é a seguinte : malgrado a inexistência de um quadro legal discriminatório a população afrobrasileira é discriminada nos dias de hoje?



A resposta está retratada nas creches, nas ruas, nas escolas, nas universidades, nas cadeias, nos laudos dos IML de todo o Brasil. Não me cabe aqui entrar na análise de estatísticas raciais, sociais e econômicas que serão abordadas por diversos especialistas no âmbito desta Audiência Pública. Observo, entretanto, que a ADPF apresentada pelo DEM, na parte intitulada « A manipulação dos indicadores sociais envolvendo a raça » (pp. 54-59), alinha algumas cifras e cita como única fonte analítica, o livro do jornalista Ali Kamel, o qual, como é sabido, não é versado no estudo das estatísticas do IBGE, do IPEA, da ONU e das incontáveis pesquisas e teses brasileiras e estrangeiras que demonstram, maciçamente, a existência de discriminação racial no Brasil.



Dai decorre a segunda pergunta que pode ser formulada em dois tempos. O sistema de promoção social posto em prática desde o final da escravidão poderá eliminar as desigualdades que cercam os afrobrasileiros? A expansão do sistema de bolsas e de cotas pelo critério social provocará uma redução destas desigualdades ?



Os dados das PNAD organizados pelo IPEA mostram, ao contrário, que as disparidades se mantém ao longo da última década. Mais ainda, a entrada no ensino superior exacerba a desigualdade racial no Brasil.



Dessa forma, no ensino fundamental (de 7 a 14 anos), a diferença entre brancos e negros começou a diminuir a partir de 1999 e em 2008 a taxa de frequência entre os dois grupos é praticamente a mesma, em torno de 95% e 94% respectivamente. No ensino médio (de 15 a 17 anos) há uma diferença quase constante desde entre 1992 e 2008. Neste último ano, foram registrados 61,0% de alunos brancos e 42,0% de alunos negros desta mesma faixa etária. Porém, no ensino superior a diferença entre os dois grupos se escancara. Em 2008, nas faixas etárias de brancos maiores de 18 anos de idade, havia 20,5% de estudantes universitários e nas faixas etárias de negros maiores de 18 anos, só 7,7% de estudantes universitários.[10] Patenteia-se que o acesso ao ensino superior constitui um gargalo incontornável para a ascensão social dos negros brasileiros.



Por todas estas razões, reafirmo minha adesão ao sistema de cotas raciais aplicado pela Universidade de Brasília.

Penso que seria uma simplificação apresentar a discussão sobre as cotas raciais como um corte entre a esquerda e a direita, o governo e a oposição ou o PT e o PSDB. Como no caso do plebiscito de 1993, sobre o presidencialismo e o parlamentarismo, a clivagem atravessa as linhas partidárias e ideológicas. Aliàs, as primeiras medidas de política afirmativa relativas à população negra foram tomadas, como é conhecido, pelo governo Fernando Henrique Cardoso.



Como deixei claro, utilizei vários estudos do IPEA para embasar meus argumentos. Ora, tanto o presidente do IPEA no segundo governo Fernando Henrique Cardoso, o professor Roberto Borges Martins, como o presidente do IPEA no segundo governo Lula, o professor Márcio Porchman -, colegas por quem tenho respeito e admiração -, coordenaram vários estudos sobre a discriminação racial no Brasil nos dias de hoje e são ambos favoráveis às políticas afirmativas e às políticas de cotas raciais.



A existência de alianças transversais deve nos conduzir -, mesmo num ano de eleições -, a um debate menos ideologizado, onde os argumentos de uns e de outros possam ser analisados a fim de contribuir para a superação da desigualdade racial que pesa sobre os negros e a democracia brasileira.



[1].Ver o Database da Universidade de Harvard acessível no sítio http://www.slavevoy ages.org/ tast/index. faces

[2]. Demonstrando um grande desconhecimento da história pátria e supercialidade em sua argumentação, a petição do DEM afirma na página 35: “Por que não direcionamos a Portugal e à Inglaterra a indenização a ser devida aos afrodescendentes, já que foram os portugueses e os ingleses quem organizaram o tráfico de escravos e a escravidão no Brasil?”. Como é amplamente conhecido, os ingleses não tiveram participação no escravismo brasileiro, visto que o tráfico negreiro constituía-se como um monopólio português, com ativa participação brasileira no século XIX. Bem ao contrário, por razões que não cabe desenvolver neste texto, a Inglaterra teve um papel decisivo na extinção do tráfico negreiro para o Brasil

[3]. A. Perdigão Malheiro, A Escravidão no Brasil – Ensaio Histórico, Jurídico, Social (1867), Vozes, Petrópolis, R.J., 1976, 2 vols. , v. 1, pp. 201-222. Numa mensagem confidencial ao presidente da província de São Paulo, em 1854, Nabuco de Araújo, ministro da Justiça, invoca “os interesses coletivos da sociedade”, para não aplicar a lei de 1831, prevendo a liberdade dos africanos introduzidos após esta data, Joaquim Nabuco, Um Estadista do Império (1897-1899), Topbooks, Rio de Janeiro, 1997, 2 vols., v. 1, p. 229, n. 6

[4] . Beatriz G. Mamigonian, comunicação no seminário do Centre d’Études du Brésil et de l’Atlantique Sud, Université de Paris IV Sorbonne, 21/11/2006; D.Eltis, Economic Growth and the Ending of the Transatlantic Slave Trade, Oxford University Press, Oxford, U.K. 1989, appendix A, pp. 234-244.

[5] . Joaquim Nabuco, O Abolicionismo (1883), ed. Vozes, Petrópolis, R.J., 1977, pp 115-120, 189. Quinze anos depois, confirmando a importância primordial do tráfico de africanos -, e da na reprodução desterritorializada da produção escravista -, Nabuco afirma que foi mais fácil abolir a escravidão em 1888, do que fazer cumprir a lei de 1831, id., Um Estadista do Império (1897-1899), Rio de Janeiro, Topbooks,1997, 2 vols., v. 1, p. 228.

[6] . L.F. de Alencastro, “A desmemória e o recalque do crime na política brasileira”, in Adauto Novaes, O Esquecimento da Política, Agir Editora, Rio de Janeiro, 2007, pp. 321-334.



[7] . Luiz Felipe de Alencastro, “Proletários e Escravos: imigrantes portugueses e cativos africanos no Rio de Janeiro 1850-1870”, in Novos Estudos Cebrap, n. 21, 1988, pp. 30-56;

[8] . Elza Berquó e L.F. de Alencastro, “A Emergência do Voto Negro”, Novos Estudos Cebrap, São Paulo, nº33, 1992, pp.77-88.

[9] . O censo de 1980 mostrava que o índice de indivíduos maiores de cinco anos "sem instrução ou com menos de 1 ano de instrução" era de 47,3% entre os pretos, 47,6% entre os pardos e 25,1% entre os brancos. A desproporção reduziu-se em seguida, mas não tem se modificado nos últimos 20 anos. Segundo as PNADs, em 1992, verificava-se que na população maior de 15 anos, os brancos analfabetos representavam 4,0 % e os negros 6,1 %, em 2008 as taxas eram, respectivamente de 6,5% e 8,3%. O aumento das taxas de analfabetos provém, em boa parte, do fato que a partir de 2004, as PNADs passa a incorporar a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas,Roraima, Pará e Amapá. Dados extraídos das tabelas do IPEA.

[10] . Dados fornecidos pelo pesquisador do IPEA, Mario Lisboa Theodoro, que também participa desta Audiência Pública.