| Luiza Bairros ouviu demandas de diversos segmentos (Fotos: Dalmo Oliveira) |
Ativistas do segmento quilombola e líderes de religiões de matrizes africanas também reivindicaram uma atuação mais pro-ativa da SEPPIR no estado, sugerindo, inclusive, que a Secretaria abrisse um escritório de representação em João Pessoa. O babalorixá Pai Beto de Xangô fez uma fala denunciando o clima de intolerãncia religiosa preocupante contra os adeptos do culto sagrado da Jurema, especialmente na cidade de Alhandra. Ele entregou à ministra um documento pedindo providências em relação à consolidação do Sítio Sagrado dos Acaes.
| Dalmo se pronunciou enquanto conselheiro do CEPIR-PB (Foto: Clareana Cendy) |
O conselheiro Dalmo Oliveira também se pronunciou solicitando de Bairros mediação com o Governo da Paraíba para efetivação do CEPIR-PB, empossado desde abril de 2010, mas até hoje sem realizar sequer uma assembléia ordinária oficial. "Gostaríamos que a SEPPIR nos ajudasse a monitorar a implementação das políticas públicas da área e as resoluções do Estatuto da Igualdade Racial. Nos preocupa, especialmente, a recente mudança desse Conselho para a Secretaria das Mulheres, tendo em vista o baixo orçamento destinado a essa Secretaria", reivindicou o ativista ligado ao FOPPIR. O movimento negro local reforçou a necessidade da criação da Secretaria Estadual de Reparação e Promoção da Igualdade Racial.
Parte dos ativistas dos movimentos sociais presentes à reunião com a ministra Bairros saiu do evento com um certa frustração em relação às respostas vazias e escorregadias que ela deu às principais demandas. "Ela ignorou nossos questionamentos sobre saúde da população negra, especialmente sobre a anemia falciforme. Em relação a intermediar demandas com o governo do Estado, a ministra disse que preferia 'não se meter'. A impressão que deu é que ela teria preferido ter-se encontrado apenas com o pessoal do Governo, ter feito sua palestra à noite e voltar sossegada para Brasília", comenta Oliveira, que também é diretor da FENAFAL.
Num determinado momento do encontro, Luiza Bairros sugeriu aos ativistas que decidam qual caminho seguir: apoiar as decisões governamentais do setor ou partir para uma atuação independente e crítica. Depois da reunião com os movimentos sociais, a ministra da SEPPIR passou o restante da tarde reunida com as equipes do Governo do Estado e da Prefeitura de João Pessoa, tendo celebrado algumas parcerias e convênios.
CONFERÊNCIA
À noite, por volta das 20h30, a ministra Bairros iniciou a última etapa de sua passagem pela Paraíba, como conferencista convidada na programação especial do Dia Internacional das Mulheres, abordando o tema "Mais mulheres no Poder: Um olhar sobre a mulher negra".O evento aconteceu no Teatro Paulo Pontes, do Espaço cultural, com a presença do governador Ricardo Coutinho (PSB) e do prefeito da capital, Luciano Agra (PSB). Uma mesa solene foi montada antes da conferência da ministra. Foram facultadas falas ao governador, ao prefeito, às secretárias Iraê Lucena e Nézia Gomes (PMJP) e à professora da UEPB Vânia Fonseca, que falou pela ONG Bamidelê. Outros representantes de movimentos sociais, também convidados a compor a mesa, não puderam se pronunciar.
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| Ministra falou para platéia engajada no Paulo Pontes (Foto: Fabiana Veloso) |
Membros do FOPPIR realizaram um pequeno protesto durante o evento, mostrando uma faixa em que se lia: "Senhor governador, nem Coordenação, nem Assessoria: queremos Secretaria!". Ninguém sabe se a manifestação dos ativistas surtiu algum efeito, mas o fato é que o governador Ricardo Coutinho retirou-se do recinto logo no início da tal "conferência", mostrando uma certa deselegância em relação ao discurso da convidada ilustre. "Se fosse o ministro da Saúde, será que o governador daria o mesmo tratamento?", questionou um dos manifestantes.
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| Mesa de abertura: só alguns puderam se pronunciar (Foto: Fabiana Veloso) |

