quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sexta Roda da Amizade reúne capoeiristas em Campina Grande



A Roda da Amizade é um encontro promovido pelo Capoeira Luanda que reúne amigos e a diversidade capoeirística para jogarmos capoeira. A idéia surgiu com a proposta de reunir o maior número de capoeiras para fazermos o que mais gostamos e sabemos fazer: Jogar Capoeira. Respeitando a diversidade cultural de cada um dos envolvidos. Um detalhe importante é que a Roda da Amizade é comandada por uma mulher, a professora Virgínia Passos, conhecida no mundo da capoeira como Guerreira.

A 1ª Roda foi realizada em junho de 2008 e se tornou um sucesso, dos 15 grupos que temos na cidade de Campina Grande, participaram 08 e veio amigos da capital João Pessoa e do interior do estado, das cidades de Areia e Cabedelo. A 2ª e a 3ª contamos com amigos capoeiras da Paraíba e Pernambuco e o entusiasmo se estendeu para as outras seguintes. A 6ª versão aconteceu dia 28 de junho, as 14hs, em Campina Grande, no mesmo local onde tudo começou (Parque do Povo), ela veio para brindarmos um ano de conquistas e mostramos para a sociedade capoeirística e a sociedade civil o brilho e valor dessa arte genuinamente brasileira. É que juntos mostramos não só o brilho dos movimentos acrobáticos, por traz de todas as expressões corporais existe um valor social, humanitário, cultural e histórico e, com a destreza do corpo mostramos quem somos; o que queremos; por que estamos ali e; nosso valor na sociedade.

Estiveram presentes 09 grupos de capoeira, 07 da Paraíba e 02 de Pernambuco. A seguir os grupos e líderes, respectivamente: Equipe Nenê Paraíba - Professor Nenê; Legião Brasileira de Capoeira (do vizinho estado de Pernambuco) - Contramestre Pajé; Capoeira Brasil - Inst. Rildo; Escola Mukambu de Capoeira Angola (alunos); Ginga Brasil 1- Grad. Pato; Capoeira Marimbau (Pernambuco) - Mestre Paulo Molla; Capoeira Badauê (alunos); Ginga Brasil 2 - Mestre Matoso e o Capoeira Luanda que promoveu o evento. O encontro que durou cerca de 4 horas também contou com o brilho, entusiasmo do público presente, que a todo instante intervia com palmas, coro nas cantigas de capoeira e comentários.

Obrigada a todos que indireto ou diretamente participaram deste trabalho.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Coordenação do INTECAB na Paraíba toma posse nesta sexta

Nesta sexta-feira, dia 24 de Julho, acontece a posse da coordenação do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira da Paraíba. O evento será iniciado a partir das 8h no ILÊ ASÉ OSUN-ODENITÁ, situado na rua Carlos Antônio Galiza de Andrade, nº 129, bairro do Cuiá, em João Pessoa. "Está confirmada a presença do coordenador nacional do instituto Everaldo Conceição Duarte e do vice-coordenador, Genaldo Novaes, ambos de Salvador, além do coordenador do Estado do Pernambuco Baba Gil de Ogun e do Pejigan Koy de Osaguiã", diz o babalorixá Erivaldo da Silva, que está assumindo a coordenação da secção paraibana do INTECAB.

O Instituto tem como finalidade a promoção e a preservação dos valores espirituais, culturais e científicos emanados da Religião Tradicional Africana no Brasil, na África e nas Américas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pesquisadores negros organizam nova entidade na Paraíba


Por Dalmo Oliveira

Anote aí em sua agenda: dias 5 e 6 de novembro, em João Pessoa, Paraíba, acontece a primeira edição de um encontro de pesquisadores negros, cujo tema será “Universidades e ações afirmativas”. O evento será preparatório ao 6º Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), que ocorre em setembro de 2010, no Rio de Janeiro.

Esse será o principal desafio de um grupo de militantes negros, afrobrasileiros e não-brancos reunidos no último dia 9, no auditório do CEDUC/UEPB, em Campina Grande, a convite do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Interracial (Neabi). O professor José Benjamin (UEPB) recebeu os convidados explicando a finalidade do encontro. Ele fez um breve histórico das atividades do Núcleo e disse que as especializações que a UEPB mantém sobre a questão racial e cultura africana devem ser transformadas em curso de pós-graduação, em nível de mestrado, em curto prazo.

Além de Benjamin, estiveram na reunião, os historiadores Waldeci Chagas e Patrícia Cristina de Aragão e Jomar da Silva. Chagas atua na área de História da África desde 2000. Aragão e Silva também pesquisam religiões de matriz africana e a vida nos quilombos. Como se vê, o núcleo de pesquisadores da História é o mais organizado e produtivo. A ele se junta a historiadora, paranaense radicada em João Pessoa e professora da UFPB, Solange Rocha, além da ativista da rede pública, e também historiadora, Socorro Pimentel.

Mas há outras áreas do conhecimento contempladas nesse time da secção paraibana da ABPN, como o Direito, representado pela professora Luciana Barreto da UEPB, que atua no campo das chamadas “minorias”. E a Comunicação Social, com o jornalista Dalmo Oliveira (Embrapa), que faz pesquisas no campo comunicacional sobre discurso e representações raciais na mídia paraibana. Ele também pesquisa doença falciforme e atua no campo da saúde da população negra, sendo ativista da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH). Ou a Antropologia, pelas mãos do professor Joselito Eulâmpio, da Universidade Estadual do Vale do Acaraú, que investiga o processo escravagista no Seridó Central paraibano, mapeando aspectos da comunidade Pitombeira, no município de Várzea.

Mas há outras ações que merecem registro, como o projeto “Africanidades”, com livros didáticos que abordem a questão racial e a formação africana do povo paraibano, em que estão envolvidos os pesquisadores Alessandro Amorin, Ana Luiza Cândido, Alessandra Araújo e outros. Ou ainda a pesquisa de Liélia Barbosa, sobre racismo institucional da rede pública de ensino em Campina Grande.

Representantes da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado da Paraíba, o historiador Josenilton Feitosa e a advogada Luzinete Victor também se fizeram presentes, destacando a realização das conferências estaduais e nacional de promoção da igualdade racial.

COMISSÃO – Uma comissão provisória foi escolhida para conduzir as primeiras ações da secção da ABPN na Paraíba. Cristina Aragão, Waldeci Chagas, Ariosvalber de Sousa e Dalmo Oliveira, assumiram o abacaxi operacional e legalista para colocar a entidade em funcionamento nos próximos meses. A primeira tarefa será trazer à Paraíba, um representante da diretoria da ABPN, provavelmente a professora Iraneide Soares, “Pretendemos publicar as pesquisas dos associados em livros e revistas especializadas, além de realizar eventos para garantir a visibilidade dos pesquisadores negros”, diz Oliveira.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Conferência reivindica políticas de comunicação em prol da igualdade racial

Conferência reivindica políticas de comunicação em prol da igualdade racial
Juliana Cézar Nunes - para o Observatório do Direito à Comunicação
01.07.2009

Mesmo sem ter oficialmente entre seus eixos temáticos a questão da “comunicação”, a 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) debateu a urgência de políticas públicas de corte racial para o setor. A ausência de um espaço oficial na Conappir - sentida pelos participantes e cobrada da organização do evento - não impediu que jornalistas, comunicadores, ativistas e movimentos sociais negros conseguissem pautar o tema na Conferência.

Em reunião com o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, eles defenderam a criação de um grupo de trabalho para formular ações governamentais sobre comunicação e igualdade racial. Diante das propostas apresentadas, Santos se comprometeu a avaliar a possibilidade de implantar uma instância com o papel de trabalhar questões relacionadas à comunicação.

A inexistência de cobertura da grande mídia comercial sobre os quatro dias de debates e os recentes editoriais contrários às políticas de cotas causaram indignação nos presentes e levantaram no evento a reflexão sobre a invisibilidade característica do tratamento dado à população negra nos meios de comunicação.

Convidado para a programação cultural da conferência, o rapper Mano Brown, do grupo Racionais MC´s, protestou contra o discurso da imprensa sobre as cotas nas universidades. “O estudante da cota não deve ser visto como um beneficiado. Tem que ser visto como um cara que trabalhou muito e não foi indenizado pelos direitos. Não como quem vai receber esmola do patrão”, defendeu Brown.

No painel temático sobre saúde, a jornalista Kelly Quirino, de Bauru (SP), chamou a atenção para a falta de cobertura jornalística a respeito da saúde da população negra. “O movimento negro tem um trabalho de longa data na questão de saúde e isso não é pautado nos jornais. Não encontro matérias sobre doenças prevalentes na população negra, como anemina falciforme e mioma uterino”, destacou Kelly, que faz mestrado em Comunicação Midiática na Universidade Estadual Paulista (UNESP).

A presidente do Geledés - Instituto da Mulher Negra, Nilza Iraci, lembrou que o Brasil não cumpre recomendações internacionais (como a Declaração e o Plano de Ação de Durban) no sentido de incorporar os meios de comunicação nas políticas de combate ao racismo: “temos feito pesquisas sobre isso e constatamos que a mídia brasileira invisibiliza a mulher negra e adota um discurso que contribui para a persistência do racismo e da intolerância religiosa”, disse.

Enegrecer a Confecom

Frente a este quadro, ativistas envolvidos com a temática defenderam a participação dos movimentos e entidades negros e da Seppir no processo de organização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), cuja etapa nacional está marcada para dezembro deste ano em Brasília.

A atuação da secretaria neste processo foi um dos principais pleitos na moção apresentada pelas Comissões de Jornalistas pela Igualdade racial (Cojiras) ao plenário do evento. De acordo com o coordenador da Cojira-DF, Sionei Leão, o objetivo principal é garantir espaço para o debate de temas como: racismo, homofobia e intolerância religiosa nos meios de comunicação e regularização de rádios comunitárias quilombolas, negras, indígenas e ciganas, além da aplicação nos cursos de comunicação da lei 11.645/08 (Lei de Inclusão da História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena nos Currículos Escolares).

“Já foram autorizadas 60 rádios comunitárias em áreas quilombolas, mas temos dificuldade em garantir o funcionamento delas. É necessária uma política de apoio a essas rádios, que têm um papel fundamental na divulgação de informações de utilidade pública nas comunidades”, ressaltou Josué Franco Lopes, comunicador negro, representante da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e integrante da Comissão Organizadora Nacional da Confecom.

O jornalista Dojival Vieira, editor da Afropress (Agência de Informação Multiétnica), chamou a atenção para a necessidade de investimento público na imprensa alternativa que prioriza o tema igualdade racial. “O governo federal tem aumentado a distribuição de recursos para a mídia regional e, ainda assim, esses recursos não chegam para nós. A mídia étnica anti-racista deve ser priorizada dentro de uma política pública de combate ao racismo. A Seppir precisa se envolver nisso”, reclamou Dojival.

Para “enegrecer” a Confecom, a presidente do Sindicato de Jornalistas de Alagoas e integrante da Cojira-AL, Valdice Gomes, defendeu que os comunicadores e movimentos sociais negros se mobilizem para garantir a participação, como delegados, nas etapas estaduais e nacional. “Precisamos chegar com força nas estaduais, pautar o debate e exigir que ele seja feito, ainda que de maneira transversal, na Conferência Nacional”, afirmou Valdice.

Apoio governamental

Na abertura da 2ª Conapir, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, ressaltou a importância da Conferência Nacional de Comunicação e reconheceu que ela se tornou realidade a partir da “contribuição de vários setores do movimento negro”.

O ministro da Seppir, Edson Santos, em coletiva à imprensa, disse que tem dialogado com o Ministério das Comunicações no sentido de garantir a regularização de rádios comunitárias em áreas quilombolas. Santos também revelou ter se reunido recentemente com a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) para reivindicar uma cobertura mais parcial da política de cotas. “É fundamental que essa cobertura permita à sociedade brasileira formar sua própria avaliação sobre essa política”, defendeu o ministro.

Participe

Para fazer parte da mobilização em defesa de uma política pública de comunicação para a igualdade racial, envie seus contatos para o e-mail cojiras@gmail.com. Comunicadores, ativistas e entidades negras interessadas em subescrever a moção dos participantes da 2ª Conapir devem acessarwww.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4592. O texto será apreciado pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), em agosto.

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fonte: http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=5200