terça-feira, 14 de julho de 2009

Pesquisadores negros organizam nova entidade na Paraíba


Por Dalmo Oliveira

Anote aí em sua agenda: dias 5 e 6 de novembro, em João Pessoa, Paraíba, acontece a primeira edição de um encontro de pesquisadores negros, cujo tema será “Universidades e ações afirmativas”. O evento será preparatório ao 6º Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), que ocorre em setembro de 2010, no Rio de Janeiro.

Esse será o principal desafio de um grupo de militantes negros, afrobrasileiros e não-brancos reunidos no último dia 9, no auditório do CEDUC/UEPB, em Campina Grande, a convite do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Interracial (Neabi). O professor José Benjamin (UEPB) recebeu os convidados explicando a finalidade do encontro. Ele fez um breve histórico das atividades do Núcleo e disse que as especializações que a UEPB mantém sobre a questão racial e cultura africana devem ser transformadas em curso de pós-graduação, em nível de mestrado, em curto prazo.

Além de Benjamin, estiveram na reunião, os historiadores Waldeci Chagas e Patrícia Cristina de Aragão e Jomar da Silva. Chagas atua na área de História da África desde 2000. Aragão e Silva também pesquisam religiões de matriz africana e a vida nos quilombos. Como se vê, o núcleo de pesquisadores da História é o mais organizado e produtivo. A ele se junta a historiadora, paranaense radicada em João Pessoa e professora da UFPB, Solange Rocha, além da ativista da rede pública, e também historiadora, Socorro Pimentel.

Mas há outras áreas do conhecimento contempladas nesse time da secção paraibana da ABPN, como o Direito, representado pela professora Luciana Barreto da UEPB, que atua no campo das chamadas “minorias”. E a Comunicação Social, com o jornalista Dalmo Oliveira (Embrapa), que faz pesquisas no campo comunicacional sobre discurso e representações raciais na mídia paraibana. Ele também pesquisa doença falciforme e atua no campo da saúde da população negra, sendo ativista da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH). Ou a Antropologia, pelas mãos do professor Joselito Eulâmpio, da Universidade Estadual do Vale do Acaraú, que investiga o processo escravagista no Seridó Central paraibano, mapeando aspectos da comunidade Pitombeira, no município de Várzea.

Mas há outras ações que merecem registro, como o projeto “Africanidades”, com livros didáticos que abordem a questão racial e a formação africana do povo paraibano, em que estão envolvidos os pesquisadores Alessandro Amorin, Ana Luiza Cândido, Alessandra Araújo e outros. Ou ainda a pesquisa de Liélia Barbosa, sobre racismo institucional da rede pública de ensino em Campina Grande.

Representantes da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado da Paraíba, o historiador Josenilton Feitosa e a advogada Luzinete Victor também se fizeram presentes, destacando a realização das conferências estaduais e nacional de promoção da igualdade racial.

COMISSÃO – Uma comissão provisória foi escolhida para conduzir as primeiras ações da secção da ABPN na Paraíba. Cristina Aragão, Waldeci Chagas, Ariosvalber de Sousa e Dalmo Oliveira, assumiram o abacaxi operacional e legalista para colocar a entidade em funcionamento nos próximos meses. A primeira tarefa será trazer à Paraíba, um representante da diretoria da ABPN, provavelmente a professora Iraneide Soares, “Pretendemos publicar as pesquisas dos associados em livros e revistas especializadas, além de realizar eventos para garantir a visibilidade dos pesquisadores negros”, diz Oliveira.

2 comentários:

Kywza disse...

Saudações! Gostaria de saber se o evento abrirá inscrições para a participação de pesquisadores na área. Estou bastante interessada em participar, pois trabalho no mestrado com questões ligadas a africanidade e negritude.
Kywza Fideles

Nadia Farias disse...

Olá, eu gostaria de saber se se essa nova entidade abrirá espaço para pessoas dedicadas a essa temática, mas que não estão nas universidade e sim nas instituições escolares e nos orgãos de educação estadual e municipal.

Nadia Farias