sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Chico César de volta à escola

Cantor e diretor executivo da Funjope, proferiu palestra para alunos do Colégio Estadual da Prata
por Severino Lopes //severinolopes.pb@dabr.com.br

Chico César nunca esteve tão à vontade como ontem, no auditório do Colégio Elpídio de Almeida, o Estadual de Prata, em Campina Grande. Convidado para proferir uma palestra no Projeto Juventude e Cultura Afro que aconteceu durante todo o dia no Gigangão da Prata, o cantor e compositor paraibano abriu mão de ficar sentado em volta da mesa reservada aos palestrantes do evento. Mostrou porque é um artista popular.


Cantor participou de uma palestra no Projeto Juventude e Cultura Afro realizado no Gigantão Foto: Xico Morais/DB/D.A Press
O paraibano de Catolé do Rocha e que atualmente responde pelo cargo de diretor executivo da Fundação de Cultura de João Pessoa, surpreendeu a platéia quando deixou a cadeira de lado, se levantou e foi se sentar na ponta do palco, a alguns centimétros de distância dos alunos. E não ficou sozinho. Ele convidou para também ficar perto do público os dois outros palestrantes os professores Severino José Lima (Xangai) e José Pereira.

Francisco César Gonçalves - o Chico César - que comandou uma mesa redonda tema "A Influência Africana na Música Popular Brasileira", preferiu falar "olho no olho" com a platéia. Sentado no palco, o artista vestido com camisa branca, paletó marron, calça xadrez e uma sandália de couro nos pés, destacou a trajetória do negro na história da humanidade. Antes de iniciar sua fala, o cantor e compositor paraibano foi aclamado calorosamente pela platéia. Muitos estudantes não se contiveram e aproveitaram a oportunidade para tirar fotos e pedir autógrafo ao artista.

Sentindo-se bem a vontade, e sem esquecer de sua raízes culturais, Chico Cesar falou inicialmente de sua trajetória como artista. Disse que antes de se tornar um cantor famoso com músicas implacadas em várias trilhas sonoras de telenovelas, enfrentou dificuldade.

Como todo nordestino ele disse que teve que soar muito, para conquistar seu espaço no mercado e vender no mundo da música. O autor de "Aos vivos" (1995), "Cuscuz Clã" (1996), "Beleza Mano" (1997), "Mama Mundi" (2000), entre outros trabalhos, fez questão de afirmar que sua trajetória de sucesso não começou nos palcos mas nasruas de Catolé do Rocha, no solo duro da Paraíba. "Vocês podem até estranhar pois não estão acostumados a ver uma pessoa próxima que alguns viram pela televisão ou escutaram no rádio. Mas a minha história começou aqui na Paraíba em Catolé do Rocha. Ela não começa na televisão e nos palcos" observou.

Ao se ater ao tema, Chico César disse que no passado o negro foi escravizado devido a inércia dos governantes. Ele lembrou que os estudantes costumam conhecer a história dos negros apenas através dos livros de história, principamente na luta contra a escravidão. A luta do negro pela liberdade refugiando-se nos quilombos, segundo o artista é antiga. Antes mesmos de virarem escravos eram homens livres na África. Entretanto com o passar do tempo, foram largados a própria sorte. No Brasil, os governos republicanos do Brasil não olharam os negros como homens que tinham direito a liberdade em todos os aspectos.

Ainda hoje segundo ele, o negro ainda enfrenta preconceitos e luta para se libertar de uma socieade com mecanimos opressores. Resquícios do passado. "Porque é que ainda hoje, a maioria de pessoas que nós encontramos nos sinais, os pedintes, os mendigos, tem a pele escura? Por que os negros mesmo depois da abolição da escravatura foram largados a própria sorte", afirmou. As conquistas de acordo com o artista, tm acontecido de forma lenta e gradativa. Segundo Chico Césa a cultura afro ainda é um importante instrumento de libertação usada em prol de uma nação mais igualitária.

O Projeto Juventude e Cultura Afro, movimentou o Estadual da Prata. O evento marcou de forma antecipada as comemorações do dia da Consciência Negra. Durante todo o dia foram realizadas atividades culturais voltadas para o resgate da cultura afro. O evento promovido pela Escola Estadual Dr Elpídio de Almeida, teve como proposta promover projetos temáticos culturais afro-brasileiros, visando o aumento da produção cultural afro-brasileira, dentro da escola.

A Dia da África no Estadual da Prata teve apresentaçaõ de capoeira e maculelê no pátio da escola, visita as oficinas pedagógicas e mostra de arte e mostra cultural e com o debate "Perspectiva do negro no mercado de trabalho" e "Hip Hop, um grito por liberdade". ///////////////

fonte: http://www.diariodaborborema.com.br/2009/11/12/cultura1_0.php

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