Que os órgãos que coordenam e acompanham em âmbito nacional, estadual e municipal a implementação das Políticas de Promoção da Igualdade Racial com foco na População Negra e outros Povos de Comunidades Tradicionais, a exemplo da SEPPIR e Fundação Cultural Palmares, participem ativamente do processo de construção do projeto político nacional em curso, de Segurança Alimentar Nutricional;
Fomento e fortalecimento do debate da política de Segurança Alimentar e Nutricional da População Negra e Povos de Comunidades Tradicionais nos estados e municípios;
Identificar situações específicas de insegurança e segurança alimentar e nutricional da população negra e comunidades tradicionais em territórios urbanos e rurais;
Garantir a permanência do sistema de reserva especial de vagas (cotas), na composição dos conselhos de segurança alimentar e nutricional, nas esferas federal, estaduais e municipais, para segmentos do movimento negro ( povo de terreiro, mulheres negras, quilombolas, falcêmicos negros, entre outros ), e com a indicação dos mesmos.
Implementar a Política Nacional de Anemia Falciforme nos estados e municípios, com vistas a segurança alimentar e nutricional das pessoas com doença falciforme;
Que o governo garanta incentivos para a criação do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional da População Negra e Comunidades Tradicionais;
Garantir a manutenção do decreto 4887/2003, conforme o artigo 68 da ADCT da Constituição Federal com vistas à titulação dos territórios de quilombos;
Que o governo garanta celeridade e ampliação pela implementação de Políticas do Programa Brasil Quilombola, junto às comunidades quilombolas, com vistas à segurança alimentar e nutricional dos quilombolas;
Propostas específicas para o Povo de Terreiro
Territorialidade e regularização fundiária;
Aprofundar e reafirmar tudo o que foi construído até hoje de programas e políticas públicas em Segurança Alimentar e Nutricional;
Manutenção das cestas alimentares com ampliação, regularidade, qualidade e autonomia na gestão da política pelos povos e comunidades tradicionais;
Garantia da comercialização e produção do direito a agricultura urbana e perímetro urbano do povo de terreiro, comunidades negras, e quilombos;
Garantia da comercialização, produção e distribuição dos fitoterápicos e fito cosméticos pelo povo de terreiro;
A criação de um sistema de economia solidária para o povo de terreiro;
A ampliação da participação do povo de santo no SISAN especialmente nos CONSEAS de toda esfera nacional;
Respeito a lei 6040, com destaque na questão da autonomia de organização e indicação de seus representantes em qualquer processo de definição da Política de Segurança Alimentar e Nutricional;
Garantia dos territórios do povo de terreiro;
Ampliação da participação do povo de terreiro nos CONSEA por indicação dos mesmos.
MOÇÃO DE REPUDIO À SEPPIR
Nós, Entidades do Movimento Negro, Comunidades Quilombolas, Povos Originários, Povos de Terreiro e Comunidades Tradicionais (Povos de Terreiro, Quilombolas, Ribeirinhos, Caiçaras, Pescadores, Ciganos, Extrativistas e outros) participantes do I Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional da População Negra, Comunidades Quilombolas e dos Povos e Comunidades Tradicionais reunidas de 4 a 6 de setembro de 2011, na cidade de Guarapari - ES, repudiamos publicamente a forma pela qual a Secretaria Nacional de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, tratou as mais diversas representações do Movimento Negro Brasileiro impedindo mais de uma dezena de lideranças participarem do referido evento, por parte do seu representante da Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais – SECOMT no CONSEA Nacional.
O mesmo segurou por semanas o processo de aquisição de passagens dando encaminhamento após o prazo legal da mesma por inoperância administrativa, o que inviabilizou a participação de dezenas de lideranças negras ao referido encontro, comprometendo assim parte da avaliação, desafios e monitoramento das políticas de segurança alimentar para a população negra.
Lamentamos ainda que a Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais – SECOMT, tenha se feito ausente das atividades do encontro, embora anunciada sua presença.
Essa e outras formas de tratamento iniciado pela atual direção da SEPPIR com a Sociedade Civil, em especial com o Movimento Negro Brasileiro, tem impedido a continuidade de um ciclo progressista iniciado em 2003 pelo governo Lula e que não tem sido reproduzido literalmente pelo governo atual o qual ajudamos a construir.
Guarapari/ES, 04 de setembro de 2011.
MOÇÃO DE REPÚDIO AOS GOVERNOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS PELA UTILIZAÇÃO DE ALIMENTOS DA MERENDA ESCOLAR E DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DE ESTUDANTES E TRABALHADORES, PARA INTERESSE POLITICO ELEITORAL PARTIDÁRIO.
Nós, 192 participantes do I Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Populações Negras e Povos e Comunidades Tradicionais, realizado de 04 a 06 de novembro de 2011, em Guarapari, Espírito Santo, vindos de 26 Estados da Federação, e do Distrito Federal, com o objetivo de construir compromissos para efetivar o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável para a população negra, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, estudamos os avanços, as ameaças e perspectivas para a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.
Neste sentido, considerando a terceirização e a disponibilização da alimentação escolar para crianças e jovens de escolas publicas, com validade vencida, armazenamentos indevidos e outras razões de caráter político utilizadas pelos Governos Estaduais e Municipais, haja vista denuncias apresentadas durante este Encontro, impedindo o acesso aos alimentos e comprometendo a segurança alimentar e nutricional, causando danos à saúde de todos.
Portanto, solicitamos do Governo Federal, através do Ministério Publico Federal e da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, intervenção nos referidos governos para garantir a segurança alimentar e nutricional de estudantes e trabalhadores, em cumprimento a CF/1988 e Lei Orgânica de SAN Nº 11.346/2006.
Guarapari/ES, 04 de setembro de 2011.
MOÇÃO DE APOIO À CAMPANHA NACIONAL DE COMBATE AO USO DE AGROTÓXICOS E PELA VIDA E REPÚDIO GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO.
Nós, 192 participantes do I Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Populações Negras e Povos e Comunidades Tradicionais, realizado de 04 a 06 de novembro de 2011, em Guarapari, Espírito Santo, vindos de 26 Estados da Federação, e do Distrito Federal, com o objetivo de construir compromissos para efetivar o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável para a população negra, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, estudamos os avanços, as ameaças e perspectivas para a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.
Nesta oportunidade constatamos que os agrotóxicos constituem uma ameaça grave à Soberania e à Segurança Alimentar e Nutricional e à saúde das populações, bem como uma violação do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.
Dessa forma, manifestamos nosso irrestrito apoio à Campanha Nacional de Combate ao Uso de Agrotóxicos e Pela Vida. Na oportunidade, tomamos conhecimento e, por isso, repudiamos o silêncio do Governo do Estado do Espírito Santo em relação ao recente episódio de uso de pulverização aérea de agrotóxicos no estado, no dia 12 de julho deste ano, no município de Pedro Canário. Fato este que culminou com contaminação e hospitalização de uma conselheira do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA-ES), quando no exercício de suas atividades referentes de realização das Conferências Municipais de Pedro Canário e Montanha, e exigimos imediata apuração deste fato, bem como que adote as medidas cabíveis para coibir o uso indiscriminado dos agrotóxicos no Estado.
Guarapari, 06 de setembro de 2011.