segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Entrevista com Abdias Nascimento



por: MAURÍCIO PESTANA FOTOS JANUÁRIO GARCIA



... ainda quero ver o negro mandando nesse país. e vou ver! Acho que ainda vou ver isso vivo. O negro que realizou realmente a construção do país, e não só no sentido material, não só na cana-de-açúcar, no café, no algodão, não somente na produção dessas riquezas, mas o que também construiu a riqueza intelectual, cultural, esportiva". palavras de Abdias Nascimento, de 95 anos, artista, intelectual e, para muitos, o maior ativista do movimento negro no Brasil. nascido em franca, interior de São paulo, em 1914, tornou-se referência quando o assunto é igualdade racial. também político (foi deputado federal de 1983 a 1986, além de senador), seus discursos e ideias no congresso nacional foram todos, sem exceção, sobre a questão racial no Brasil. em 1944, fundou no Rio de Janeiro o teatro experimental do negro (TEN) que ajudou a romper as barreiras raciais no teatro brasileiro formando a primeira geração de atores negros no país. para ele, o sonho de ver negros em postos de direção no Brasil é mais que um desejo pessoal, é um direito. "e não é nenhuma coisa exorbitante!"


Qual o principal desafio que o negro enfrenta nos dias de hoje?


É o negro acreditar no negro. Quando é político, não acreditamos, preferimos votar no outro, quando é um médico, logo olhamos com certo descrédito, se é um jornalista, a mesma coisa. É preciso que acreditemos em nós, no potencial dos nossos irmãos para mudarmos definitivamente esse estado de coisas.


Mas, ao que se deve esse descrédito?


Aos séculos de desmoralização que a mulher e o homem negros foram submetidos aqui neste país, sempre tivemos empregos ruins, desprestigiados, nunca fomos valorizados e remunerados decentemente, nunca investiram em nossas capacidades, também nunca tivemos status, responsabilidade, dignidade. Parece que o negro já nasce incompetente, então, esse aspecto vem de longe, da época da escravidão e transpassou por quase todo o século XX este desrespeito, violação de direitos humanos e aviltamento que a mulher negra e o homem negro sofreram. Fizeram com que nós não acreditássemos em nós mesmos. Fomos submetidos ao desemprego, aos empregos ruins, e isso tem gerado em nós, muitas vezes, um descrédito em nós mesmos.


"O Obama deu uma lavada no brasil! aqui sempre se propagou nos quatro cantos do planeta como sendo o país da harmonia racial. embora tenhamos essa fama, nunca tivemos uma figura de destaque que fosse canonizada pelas urnas"
Então o senhor acha que devemos creditar a esse estado de coisas o fato de ainda não termos criado uma classe econômica e política negra forte no Brasil?


Não tenha dúvidas! Se o próprio negro não acreditar no negro, isso faz com que os negros que tem um pouco mais de destaque na sociedade não deem crédito àqueles que têm menos do que eles. Isso gera um circulo vicioso.


Em pleno século XXI, o senhor não acha que isto está mudando?


Sim, tem aparecido um ou outro caso isolado. Um exemplo que talvez possa ser lembrado é o que estão tentando fazer em São Paulo na Universidade Zumbi dos Palmares. Parece que estão querendo quebrar este tabu, esse preconceito contra a capacidade do negro, inclusive de se organizar em setores como o do ensino. É preciso que os negros acreditem que uma empresa educacional negra funcione para que a coisa vença, para que os negros vençam. É preciso que haja jornais de negros, mais revistas, falta o negro acreditar em sua própria capacidade em gerir negócios na sua própria raça, fazendo coisas importantes e com responsabilidade. Ter uma universidade no Brasil administrada por negros parece pouca coisa, mas não é.


André Rebouças, Cruz e Souza, Theodoro Sampaio, Luiz Gama... por que no século XIX havia mais negros com prestígio nacional como parte da intelectualidade brasileira, do que nos dias de hoje que, proporcionalmente, somos em maior número nas universidades? Onde estão os intelectuais negros de destaque nacional?


Estão enfurnados aí, escondidos fazendo suas coisas, meio envergonhados. Mas nós temos sim um grande número de intelectuais negros. Temos o Joel Rufino dos Santos, por exemplo, temos o Muniz Sodré e vários outros. O que acontece é que muitos estão fazendo o seu trabalho e talvez não estejam sendo destacados pela mídia como deveriam ser.

O senhor foi praticamente testemunho de tudo o que aconteceu em termos de avanços e retrocessos na vida social e política do negro no século XX. Presenciou fatos como a organização da Frente Negra Brasileira e o surgimento do Movimento Negro Unificado (MNU) nos anos 1970. O que o senhor acha que poderíamos fazer diferente, se pudéssemos voltar no tempo?


Tanta coisa poderia ter sido diferente... Um bom exemplo é o futebol brasileiro. No século XX predominamos neste setor e tínhamos que exigir uma maior participação de negros na direção do futebol, assim também como uma maior participação desses negros em nossa luta. Quando esses jogadores passam a treinadores ou dirigentes, eles ficam lá meio que escondidos, não aparecem e acabamos não mostrando o nosso potencial de administradores, de líderes. Existem vários técnicos de primeira linha, mas ficam ocultos, não tem pretensão e, na hora que precisa de um técnico para o futebol, para uma olimpíada, não são os negros que são escolhidos, são outros. Falo do futebol, mas tem várias áreas em que deveríamos mostrar mais esse lado de liderança do negro.


Por falar em liderança e entrando na política internacional, o que o senhor achou da eleição de Barack Obama e quais reflexos que essa eleição pode ter para os negros aqui no Brasil?


O Obama deu uma lavada no Brasil! Aqui sempre se propagou nos quatro cantos do planeta como sendo o país da harmonia racial. Embora tenhamos essa fama, nunca tivemos uma figura de destaque que fosse canonizada pelas urnas, no mais alto posto do escalão da república, nunca houve isso! Quando fui senador, foi através de apoios de padrinhos políticos. No nível que chegou o Obama, o chamado país da democracia racial (o Brasil) não chegou nem perto ainda.


Sua presença no Congresso Nacional foi marcante. Sem dúvida foi o negro que mais se posicionou como tal em toda a história da república. Como foi aquele período?


Ali foi uma questão de coerência, não podia ser diferente, dediquei a minha vida toda a tocar em assuntos que, em geral, ninguém tocava, que foi a questão do racismo no Brasil. Quando cheguei ao Congresso Nacional não podia ser de outra forma, coloquei meu mandato a serviço do negro, foi uma atuação de negro para negro.


Exatamente! Lembro-me que todos os seus discursos e proposições eram direcionados ao negro em nosso país.


Fico feliz de ouvir essa afirmação de alguém da revista RAÇA BRASIL que, na época, não repercutia o meu trabalho. Nunca falei sobre outra coisa enquanto permaneci no congresso que não fosse relacionada a nós. Queria mostrar que o negro que estava ali reconhecia que ele era fruto desta grande maioria negra que é o Brasil, entretanto, a voz era abafada nesta comunidade e eu falo isso sem falsa modéstia. Fazia discursos memoráveis naquela casa e nada se falava na imprensa sobre isso, então, eu os publicava em livros porque aqui fora não tinha a menor repercussão, ninguém sabia que tinha um negro lá no congresso gritando e lutando por essa maioria aqui fora.
O senhor encontrou muitos obstáculos?


Encontrei! Até Jesus Cristo eu tive que enfrentar. Como sabe (embora digam que vivemos em um estado laico) as sessões no congresso começam com uma saudação a Deus nosso senhor. Eu, diferente de todos ali, começava o meu discurso todas as vezes invocando Olorum, pois Olorum é que é o nosso Deus. É para ele que eu batia a cabeça e mais ninguém. Imagina o mal-estar que isso causava em alguns congressistas que sempre começavam suas falas saudando o nome de Cristo? E eu pedia licença a Olorum e a força e a palavra a Exu. Todas as vezes fazia aquilo enfrentando figuras importantes e não tinha apoio de ninguém, nem da população negra, até porque fui eleito como suplente. Agora tenho que reconhecer que houve uma resposta sim de uma parcela do mundo acadêmico que tem suas teses e dissertações de doutorado e mestrado acerca da minha contribuição.


Sua passagem pelo Congresso foi memorável não só pelo posicionamento, mas pelas ações. Trajava roupas africanas, diferente do terno e gravata ocidental do Congresso. Não acredito que isto ficou apenas na memória de algumas teses.


Você que é bem informado! Para o povo comum não existe essa consciência e não sabe quem sou eu. Pergunta aí para os negros da maioria deste país quem é Abdias Nascimento? Eles não sabem, ninguém sabe, não me atrevo a dizer que o povo sabe, por que não sabe! Sou um ilustre desconhecido como tantos outros negros, talvez muitos saberão agora por conta da revista.


O que é necessário para que possamos começar a mudar esse jogo e fazer com que o Brasil reconheça mais os seus Abdias?
A comunidade negra não tem apreço por seus valores, é claro que se eu tivesse prestígio com a comunidade negra eu estaria lá no senado hoje porque eu não fui lá para ganhar dinheiro, fui lá para trabalhar e trabalhei. Não tive nada de reconhecimento, tive sim um ou outro indivíduo que vem, me abraça, me beija. Por tudo isso que sou muito grato, mas reconhecimento é uma outra coisa, está relacionado a coletividade e assim é a mesma coisa com todos que trabalharam com o negro. Aqui mesmo no Rio de Janeiro tem um negro que fundou vários colégios, mas, coitado, ele também é menosprezado e está esquecido.


E qual a perspectiva que o senhor tem para essa gigantesca comunidade negra brasileira?


Eu tenho um sonho: ainda quero ver o negro mandando nesse país. E vou ver! Acho que ainda vou ver isso vivo. O negro que realizou realmente a construção do país e não só no sentido material, não só na cana-de-açúcar, no café, no algodão, não somente na produção dessas riquezas, mas o que também construiu a riqueza intelectual, cultural, esportiva. E meu sonho é ver o negro nos postos de direção do país. Não é nenhuma coisa exorbitante, nada demais querer isso porque o negro tem direito a isso, direito de ocupar qualquer posto, qualquer cargo na política, na administração pública, no ensino. Essa é a minha perspectiva, este é o meu sonho e eu ainda acredito que verei isso realizado.

Fonte: Cenpah

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Conheça os nossos Heróis

Adhemar Ferreira da Silva (1927- 2001)
Aleijadinho (1730–1814)
André Rebouças (1838-1898)
Antonieta de Barros (1901-1952)
Auta de Souza (1876–1901)
Benjamin de Oliveira (1870-1954)
Carolina Maria de Jesus (1914-1977)
Chiquinha Gonzaga (1847-1935)
Cruz e Souza (1861-1898)
Dragão do Mar/ Francisco José do Nascimento (1839-1914)
Elizeth Cardoso (1920–1990)
Jackson do Pandeiro (1919-1982)
João Cândido (1880–1969)
José (Benedito) Correia Leite (1900-1989)
José do Patrocínio (1853-1905)
Juliano Moreira (1873-1933)
Lélia Gonzalez (1935-1994)
Leônidas (1913-2004)
Lima Barreto (1881-1922)
Luiz Gama (1830-1882)
Machado de Assis (1839-1908)
Mãe Aninha (1869-1938)
Mãe Menininha do Gantois (1894-1986)
Mário de Andrade (1893-1945)
Milton Santos (1926-2001)
Paulo da Portela (1901-1949)
Pixinguinha (1897-1973)
Teodoro Sampaio (1855-1937)
Tia Ciata - Hilária Batista de Almeida (1854–1924)
Zumbi dos Palmares (1655?–1695)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

JORNALISTAS DEBATEM IMPRENSA NEGRA

Salvador (BA) - Como parte da programação do X Congresso Estadual dos Jornalistas baianos que transcorre de 26 a 28 próximos, e atividade alusiva ao mês da Consciência Negra, através da sua Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRA-BA), uma mesa redonda sobre Imprensa Negra acontece no dia 26, às 14hs, na Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC, Paralela). A mesa, aberta ao público, tem o objetivo de debater a imprensa em sua perspectiva histórica, presente e futura, a partir da experiência e reflexão de profissionais sob o recorte étnico.

Participam dos debates, os jornalistas Luís Augusto dos Santos, ex-superintendente do Jornal Afro-Brasil e editor do Diário Oficial do Município; Evanice Santos, coordenadora geral da Agência Afro-Latina- Euro-Americana de Informação (ALAI); Cleidiana Ramos, editora do blog Mundo Afro do jornal A TARDE e mestre em Estudos Étnicos e Africanos pelo Ceao/Ufba; Dalmo Oliveira, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco e integrante do movimento Novos Rumos (PB); e a doutora em Educação pela UFBA, Ana Célia da Silva. A mesa será mediada pelo jornalista-editor de publicações da Assembléia Legislativa, Luís Guilherme Pontes Tavares, também coordenador do Núcleo de Estudos da História de Impressos da Bahia-NEHIB e é coordenada pela jornalista Ana Alakija, especialista em Comunicação Comunitária e Comunicação em Saúde, representante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRA-BA), também membro-fundador da ALAI.

Além da mesa redonda, está previsto na programação a realização do Encontro das COJIRAS-Nordeste e lançamento do blog da COJIRA_BA, apresentado pelo jornalista Lucas Barbosa, seguido de exibição de filmes (curtas) produzidos com o apoio da COJIRA-Rio e ALAI. Em seguida, o jornalista Luís Guilherme lançará seu novo livro intitulado Haf na TB - a passagem de Hamilton Almeida Filho na Tribuna da Bahia entre 1972 e 1973.

As atividades também fazem parte do programa comemorativo dos 10 anos da organização não-governamental ALAI, fundada por jornalistas baianos do movimento negro e em defesa dos direitos humanos e da anistia, em conjunto com a COJIRA-BA e com o apoio do NEHIB, do Comitê FNDC-BA, Comitê pela Igualdade Racial e Democratização da Comunicação do FNDC-BA e da Associação Brasileira de Radios Comunitárias (Abraço). Os trabalhos antecedem a abertura do Congresso no mesmo dia e local às 19h30, contando com a presença do governador Jacques Wagner, o prefeito João Henrique e secretários de Comunicação do Estado e do Município, Robinson Almeida e André Curvello. Maiores informações sobre o Congresso e para participação no site do SINJORBA.


Fonte: Alaionline 21/11/2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: DIÁLOGOS HISTÓRICOS E REFLEXÕES POLÍTICAS PARA NOSSO VER, JULGAR E AGIR

Somos iguais, somos diferentes!

Celebrar o 20 de Novembro é um momento oportuno para prosseguir e ampliar nossos estudos sobre Zumbi dos Palmares, perseverar em nossa educação para ver na História o que fizemos e compreender “porque devemos clamar por justiça, trabalhar por ela, lutar pacificamente, mas lutar para que a justiça prepare os caminhos da paz”como propôs Dom Helder Câmara

O “20 de novembro” nos ajuda a julgar para a liberdade, sem silenciar diante dos desafios históricos;

Somos iguais para agir em conjunto porque, conforme aprendemos com o provérbio africano que:

“Pessoas simples, em lugares sem importância, fazendo coisas pequenas podem promover grandes transformações”.





REALIZAÇÃO:Pastoral Afrobrasileira/PB,Paróquia Jesus Ressuscitado,Paróquia São João Batista,Paróquia Santo Antônio Lisboa e Paróquia São José Operário.


CONTATOS :

Fátima Solange (83)3235-2173 (83)8808-3401

fsolangepb@hotmail.com

pastoral.negravoz@hotmail.com

Joselita (83)3235-1064

ma.tessarotto@uol.com.br






Programação

João Pessoa,novembro de 2009

Dia: 22.11.2009 (domingo-manhã)

Local: Paróquia Jesus Ressuscitado –Sala Dom José Maria Pires –Bairro Anatólia

Palestra-Tema: Semana da consciência Negra: Diálogos históricos e reflexões (Ms. Harley Abrantes Moreira – UFRN)

Horário: 9:00 horas início término 10:20

Intervalo-lanche -10:25 até 10:50horas

Oficina- Tema da Semana 10:50 às 11:30horas

Vídeo- Exibição Cartilha Direitos Humanos –Ziraldo -11:35-11:50

Roda de diálogo –(participação Padre José Comblin)-11:50-12:30 horas

Oração ecumênica 12:35 (Irmã Antônia)

Almoço -12:40
Dia : 22.11.2009 (domingo –tarde)

Local: Paróquia São João Batista. Bairro: Costa e Silva

Palestra-Tema: Semana da consciência Negra: Diálogos históricos e reflexões (Ms. Harley Abrantes Moreira – UFRN)

Horário: 14:15 horas início término 14:30 (apenas resumo)

Caminhada:15:00 –Harley Abrantes (falas com trechos da Palestra e Oficina em forma de colocações e perguntas para a população com reflexões)

Intervalo-lanche -16:25 até -16:30 (líquido durante a caminhada)

Missa-Momento final com temas da Cartilha de Ziraldo sobre os Direitos Humanos (Joselita)


Dia: 28.11.2009 (sábado-tarde)

Local: Igreja -Paróquia Stº Antônio Lisboa-Bairro de Tambaú

Horário: 14:00 horas-início término 14:40

Palestra-Tema: Semana da consciência Negra: Diálogos históricos e reflexões (Ms. Harley Abrantes Moreira – UFRN)

Intervalo-lanche -14:40-14:50

Oficina- Tema da Semana 14:50 às 15:30horas

Vídeo- -Exibição Cartilha Direitos Humanos –Ziraldo -15:35 a 15:50 horas

Roda de diálogo -15:50-16:30 horas (participação Pe.Valdemir e presentes)

Oração ecumênica 16:35


Dia: 29.11.2009 (domingo-manhã)

Local: Igreja -Paróquia São José Operário -Av. Cruz das Armas, João Pessoa

Horário: 8:00 horas-início

Palestra-Tema: Semana da consciência Negra: Diálogos históricos e reflexões (Ms. Harley Abrantes Moreira – UFRN) Horário: 8:00 horas-início término 10:00

Intervalo-lanche -10:00-10:20

Oficina- Tema da Semana 10:25 às 11:30horas

Vídeo-Exibição Cartilha Direitos Humanos –Ziraldo -11:35 a 11:50 horas

Roda de diálogo-11:20-12:20 horas (Solange,Joselita e presentes )

Oração ecumênica-12:25 Almoço -12:35

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Governo Federal regulariza comunidade quilombola Engenho do Bonfim

Na próxima sexta-feira, 20 de novembro, data em que se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil, o presidente Lula assina um decreto regularizando aproximadamente 122 hectares de terras que passarão a pertencer a 22 famílias quilombolas paraibanas. A comunidade de Engenho do Bonfim, localizada no município de Areia, a 122 km da capital paraibana, será beneficiada com o reconhecimento, por meio da declaração de interesse social, do território que ocupam e que seus antepassados ocuparam se refugiando do regime de escravidão. Atualmente, outros 20 processos de regulamentação estão em andamento no Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Paraíba.
No total, o presidente assinará 30 decretos regularizando mais de 342 mil hectares de terras e beneficiando 3.818 famílias em 14 estados brasileiros. A cerimônia de assinatura dos decretos, que contará com a presença do presidente do Incra, Rolf Hackbart, está marcada para às 17h, na Praça Castro Alves, no Centro Histórico de Salvador (BA).
Segundo Hackbart, a assinatura do decreto representa um marco histórico no reconhecimento legal da regularização fundiária de comunidades quilombolas, além de reparar uma dívida histórica e social. “Quando o Estado reconhece o direito à propriedade das comunidades quilombolas, repara uma dívida social histórica dando aos quilombolas cidadania e o direito de permanência das comunidades negras em seu território historicamente ocupado”, afirma.
A propriedade, que abriga o Engenho Bonfim, atualmente desativado, foi vendida há cerca de sete anos e se transformou em área de conflito. Os novos donos tentaram retirar os 66 moradores, que estão na área há pelo menos 25 anos. Algumas famílias moram nas terras há mais de 90 anos.
Próximos passos
Estes são os primeiros decretos de áreas quilombolas que envolvem desapropriações (áreas que não são em terras públicas) no País. A partir daí é possível dar inicio aos processos de avaliação dos imóveis que, após a indenização aos proprietários, permitirá que as famílias tenham acesso a todo o território e posteriormente tenham o título de domínio definitivo de suas terras, que é coletivo e inalienável.
O título coletivo da terra carrega a possibilidade de levar as políticas públicas básicas, como as desenvolvidas pelo Bolsa Família, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por exemplo, a essas comunidades.

O Incra e a titulação quilombola no Brasil
A Constituição Federal, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, assegura aos remanescentes das comunidades dos quilombos a propriedade definitiva das terras ocupadas, cabendo ao Estado a emissão dos títulos.
O norteamento legal dado pela Constituição foi detalhado com o Decreto 4.887, de 2003, a partir do qual o Incra ficou incumbido de realizar os procedimentos administrativos necessários à titulação dessas áreas. Antes do decreto, era o Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares (FCP), o órgão responsável pela aplicação das políticas voltadas aos remanescentes de quilombo.
Porém, a Fundação encontrava dificuldade em executar plenamente sua atribuição por não possuir instrumentos que possibilitassem a desintrusão, por meio da desapropriação, da população não quilombola incidente nos territórios. A partir do decreto de 2003, o Incra ficou incumbido da identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos.
Para cuidar dos processos de titulação, o Incra criou, na sua Diretoria de Ordenamento da Estrutura Fundiária, a Coordenação Geral de Regularização de Territórios Quilombolas (DFQ) e nas superintendências regionais, os Serviços de Regularização de Territórios Quilombolas.
De 2003 a 2009 foram expedidos 59 títulos regularizando 174.471 hectares em benefício de 53 territórios e 4.133 famílias quilombolas. Atualmente, existem 851 processos em praticamente todas as superintendências do Incra. Até hoje, já foram publicados 90 editais de Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID), o que significa a identificação de 1.327.641 hectares, em benefício de 11.656 famílias.
//////////////////
fonte: Assessoria de Imprensa da Superintendência Regional do Incra da Paraíba

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Governador Maranhão recebe ativistas negros dia 18

Maranhão vai receber ativistas negros da Paraíba, no próximo dia 18, a partir das 10 horas, no Palácio da Redenção, em João Pessoa. Na pauta a criação do Conselho de Promoção da Igualdade Racial. A reunião foi articulada pela secretária de Desenvolvimento Humano, Gilcélia Figueiredo, e é o desdobramento da conferência estadual de Promoção da Igualdade Racial, ocorrida no primeiro semestre.

"Estamos na expectativa de que o governador anuncie até o fim de novembro o envio dum projeto de lei para a Assembléia, criando o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial. Há um consenso entre as entidades do movimento negro no estado de que essa é uma tarefa política que já deveria ter sido superada. Agora vamos avançar para a criação de um órgão de Estado que cuide especificamente da reparação e da promoção da igualdade racial na Paraíba", diz o jornalista Dalmo Oliveira, do Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR.

Chico César de volta à escola

Cantor e diretor executivo da Funjope, proferiu palestra para alunos do Colégio Estadual da Prata
por Severino Lopes //severinolopes.pb@dabr.com.br

Chico César nunca esteve tão à vontade como ontem, no auditório do Colégio Elpídio de Almeida, o Estadual de Prata, em Campina Grande. Convidado para proferir uma palestra no Projeto Juventude e Cultura Afro que aconteceu durante todo o dia no Gigangão da Prata, o cantor e compositor paraibano abriu mão de ficar sentado em volta da mesa reservada aos palestrantes do evento. Mostrou porque é um artista popular.


Cantor participou de uma palestra no Projeto Juventude e Cultura Afro realizado no Gigantão Foto: Xico Morais/DB/D.A Press
O paraibano de Catolé do Rocha e que atualmente responde pelo cargo de diretor executivo da Fundação de Cultura de João Pessoa, surpreendeu a platéia quando deixou a cadeira de lado, se levantou e foi se sentar na ponta do palco, a alguns centimétros de distância dos alunos. E não ficou sozinho. Ele convidou para também ficar perto do público os dois outros palestrantes os professores Severino José Lima (Xangai) e José Pereira.

Francisco César Gonçalves - o Chico César - que comandou uma mesa redonda tema "A Influência Africana na Música Popular Brasileira", preferiu falar "olho no olho" com a platéia. Sentado no palco, o artista vestido com camisa branca, paletó marron, calça xadrez e uma sandália de couro nos pés, destacou a trajetória do negro na história da humanidade. Antes de iniciar sua fala, o cantor e compositor paraibano foi aclamado calorosamente pela platéia. Muitos estudantes não se contiveram e aproveitaram a oportunidade para tirar fotos e pedir autógrafo ao artista.

Sentindo-se bem a vontade, e sem esquecer de sua raízes culturais, Chico Cesar falou inicialmente de sua trajetória como artista. Disse que antes de se tornar um cantor famoso com músicas implacadas em várias trilhas sonoras de telenovelas, enfrentou dificuldade.

Como todo nordestino ele disse que teve que soar muito, para conquistar seu espaço no mercado e vender no mundo da música. O autor de "Aos vivos" (1995), "Cuscuz Clã" (1996), "Beleza Mano" (1997), "Mama Mundi" (2000), entre outros trabalhos, fez questão de afirmar que sua trajetória de sucesso não começou nos palcos mas nasruas de Catolé do Rocha, no solo duro da Paraíba. "Vocês podem até estranhar pois não estão acostumados a ver uma pessoa próxima que alguns viram pela televisão ou escutaram no rádio. Mas a minha história começou aqui na Paraíba em Catolé do Rocha. Ela não começa na televisão e nos palcos" observou.

Ao se ater ao tema, Chico César disse que no passado o negro foi escravizado devido a inércia dos governantes. Ele lembrou que os estudantes costumam conhecer a história dos negros apenas através dos livros de história, principamente na luta contra a escravidão. A luta do negro pela liberdade refugiando-se nos quilombos, segundo o artista é antiga. Antes mesmos de virarem escravos eram homens livres na África. Entretanto com o passar do tempo, foram largados a própria sorte. No Brasil, os governos republicanos do Brasil não olharam os negros como homens que tinham direito a liberdade em todos os aspectos.

Ainda hoje segundo ele, o negro ainda enfrenta preconceitos e luta para se libertar de uma socieade com mecanimos opressores. Resquícios do passado. "Porque é que ainda hoje, a maioria de pessoas que nós encontramos nos sinais, os pedintes, os mendigos, tem a pele escura? Por que os negros mesmo depois da abolição da escravatura foram largados a própria sorte", afirmou. As conquistas de acordo com o artista, tm acontecido de forma lenta e gradativa. Segundo Chico Césa a cultura afro ainda é um importante instrumento de libertação usada em prol de uma nação mais igualitária.

O Projeto Juventude e Cultura Afro, movimentou o Estadual da Prata. O evento marcou de forma antecipada as comemorações do dia da Consciência Negra. Durante todo o dia foram realizadas atividades culturais voltadas para o resgate da cultura afro. O evento promovido pela Escola Estadual Dr Elpídio de Almeida, teve como proposta promover projetos temáticos culturais afro-brasileiros, visando o aumento da produção cultural afro-brasileira, dentro da escola.

A Dia da África no Estadual da Prata teve apresentaçaõ de capoeira e maculelê no pátio da escola, visita as oficinas pedagógicas e mostra de arte e mostra cultural e com o debate "Perspectiva do negro no mercado de trabalho" e "Hip Hop, um grito por liberdade". ///////////////

fonte: http://www.diariodaborborema.com.br/2009/11/12/cultura1_0.php

terça-feira, 10 de novembro de 2009

SEDES divulga programação do Mês da Consciência Negra

Programação Mês da Consciência Negra – Novembro 2009

06 a 28 de novembro – Oficinas Cecapro e CRC’s

Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira (Socorro Pimentel e Verônica Lourenço)
Estética e Cultura Afro (Clareana Mendonça)
Danças e Cultura Afro (Adélia Gomes)

06.11 - 8h - Oficina: Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira

Local: CECAPRO – Beira Rio

Público Alvo: Coordenadoras(res) e funcionárias(os) dos CRC’s/DIPOP/Sedes.

09.11 - Manhã – Oficina: Danças e Cultura Afro

Local: CRC Valentina
11.11 – Tarde - Oficina: Estética e Cultura Afro

Local: CRC Jardim Veneza
11.11 – Tarde - Oficina: Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira

Local: CRC Róger

16.11 – Manhã – Oficina: Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira

Local: CRC Cruz das Armas
17.11 – Manhã – Oficina: Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira

Local: CRC Cristo

19.11 – Tarde - Oficina: Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira

Local: CRC Funcionários II
19.11 – Tarde – Oficina: Estética e Cultura Afro

Local: CRC Mangabeira
25.11 – Tarde – Oficina: Estética e Cultura Afro

Local: CRC Mandacaru
26.11 – Tarde – Oficina: Estética e Cultura Afro

Local: CRC Bairro dos Ipês
27.11 – Tarde – Oficina: Danças e Cultura Afro

Local: CRC Costa e Silva
27.11 – Manhã – Oficina: Danças e Cultura Afro

Local: CRC Bancários
Oficinas Paratibe: Comunidade Quilombola

10.11 – Tarde - Oficina: Danças e Cultura Afro

12.11 – Tarde - Oficina: Estética e Cultura

13.11 – Tarde – Oficina: Identidade Negra e Cultura Afrobrasileira

18 de novembro

Horário 8h-18h: I Seminário da Rede de Comunidades Tradicionais “Mulheres de Terreiro”

Local: SINTEP – Centro

Tema: Igualdade de Direitos para as Mulheres de Terreiro

Subtemas de aprofundamento: violência de gênero, corporalidade, assédio sexual de jovens, mulheres e preconceito.

20 de novembro

Horário 8h – 18h: Seminário: “Consciência Negra” – Racismo e Políticas Públicas

Local: Instituto Federal de Educação – IFPB (Jaguaribe)

Ritual de abertura – Viva Zumbi!

Mesa de abertura (Governo Municipal e Movimento Negro Organizado)

Campanha de Promoção da Identidade Negra na Paraíba (Bamidelê)

Mesa temática: Racismo, desigualdades raciais e ações afirmativas.

Almoço

Grupos de Discussão: saúde, educação, juventude, cultura e religiosidade e trabalho.

Mesa temática: Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR, SEDES e UFPB – coord. DIPOP)

Encerramento cultural.
Atividade Cultural

22 de novembro

18h - Tambores da Paz – Mangabeira

Local: Praça do Coqueiral

Show no anfiteatro Chico César
28 de novembro

Kizomba I Festa Negra do Valentina

Grupo: Centro Cultural Capoeira Guardiões de Angola

Local: Praça do Valentina Figueiredo – vizinho a Igreja Matriz


PARCERIAS

Bamidelê – Organização de Mulheres Negras da Paraíba

Rede Comunidade Tradicionais Mulheres de Terreiro

Movimento Negro Organizado da Paraíba

Grupo de Mulheres de Terreiro IYÁLODÈ

Centro Cultural Capoiera Guardiões de Angola

Rede de Mulheres em Articulação na Paraíba/AMB

REALIZAÇÃO E APOIOS
Prefeitura Municipal de João Pessoa

Secretaria de Desenvolvimento Social

Diretoria de Organização Comunitária e Participação Popular

Assessoria de Políticas Públicas para Diversidade Humana

sábado, 7 de novembro de 2009

Terreiros exigem mais cestas básicas para adeptos de religiões afro-brasileiras [ por Dalmo Oliveira ]




fotos: Dalmo Oliveira e Fabiana Veloso































O número de carros já denunciava que algo muito importante estaria ocorrendo no Ylê axé Omindewá, uma das casas de culto aos Orixás mais tradicionais da região sul da capital paraibana, fundada pela yalorixá Lúcia de Fátima Oliveira. Lá dentro num salão lotado e calorento uma platéia atenta assistia a uma espécie de cerimônia meio política, meio religiosa, cuja principal atração era um alto funcionário da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o sr. Nilo Nogueira. A mesa ainda seria composta por representações do Governo do Estado (pela Secretaria de Desenvolvimento Humano), da Prefeitura de João Pessoa e da Conab-PB.

Uma parcela significativa do movimento negro local também acorreu ao Ylê, especialmente outras lideranças religiosas locais, como Mãe Renilda, Pai Erivaldo, Mãe Chaguinha e Mãe Lúcia (Omidewin). “Vimos através desta, solicitar de vossa senhoria, a possibilidade do aumento da quantidade de cestas alimentares da Paraíba, que hoje é de 400 (quatrocentas) cestas e restrita a Grande João Pessoa, sentimos a necessidade da expansão desta distribuição para todo Estado, aumentando no mínimo em mais 700 (setecentas) cestas, devido a dificuldades de acesso do nosso povo de axé que se encontram no interior do Estado”, diz um trecho do documento entregue ao representante da Seppir.

A reunião pôs fim a uma antiga polêmica: opositores de Mãe Lúcia iniciaram uma campanha de desqualificação do trabalho pioneiro que sua Casa faz na área de segurança alimentar nos terreiros. Durante a reunião, Mãe Renilda chegou a citar que pessoas ligadas ao seu Ylê reclamaram de que durante a entrega das cestas, meses atrás, haviam sido humilhadas durante o processo de distribuição no Omidewá.

Durante o evento, no Valentina de Figueiredo, mesmo com as reclamações, todos os que pediram a palavra ressaltaram a importância do trabalho iniciado por Lúcia d’Oxúm. Para Verônica Loureiro, da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, “o mais importante é garantir um processo com transparência, para evitar esse tipo de denúncia”.

Independente das questões políticas, que cercaram o evento, o que fica de mais marcante é a presença das pessoas em busca do alimento, como o caso da dona Zefinha, que veio numa carroça de sua comunidade, na praia de Jacarapé, litoral sul, para receber as onze cestas que foram disponibilizadas para membros de sua família. “Às vezes de meio dia a gente já recebeu e tá voltando, mas hoje demorou mais”, conta a senhora, aparentando 60 anos.

















































































































































































domingo, 1 de novembro de 2009

1º Encontro da Consciência Negra da Universidade Federal de Campina Grande








Mesa-Redonda: A UFCG e as políticas de ações afirmativas: o estado da questão

Debatedores:

Vicemário Simões (Pró-Reitor de Ensino-UFCG)

Antônio Berto Machado (UAE-UFCG)

Luciano Mendonça de Lima (UAHG-UFCG)

Mediadora: Juciene Ricarte Apolinário (UAHG)

Data: 16/11/2009

Hora: 8h00

Local: Centro de Extensão José Farias da Nóbrega

Mesa-Redonda: Violência policial, racismo e direitos humanos: um debate necessário

Debatedores:

Marcos Marcone (Coronel da Polícia Militar-PB)

Jair Silva (Movimento Negro-CG)

Maurino Medeiros (UACS-UFCG)

Mediador: Luciano Mendonça de Lima (UAHG-UFCG)

Data: 16/11/2009

Hora: 14h00

Local: Centro de Extensão José Farias da Nóbrega



Promoção: Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro da Universidade Federal de Campina Grande e Movimento Negro de Campina Grande

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mini-curso Racismo, Identidade e Ações Afirmativas


A Bamidelê dando continuidade às ações da Campanha de Promoção da Identidade Negra na Paraíba estará promovendo o mini-curso Racismo, Identidade e Ações Afirmativas.

Objetivo: Contribuir com a qualificação de lideranças do movimento feminista e de mulheres, movimento negro e movimentos sociais, sobre as temáticas relacionadas à promoção da igualdade racial, políticas de ação afirmativa e a luta antirracista no Brasil e na Paraíba.

Inscrições na sede da Bamidelê ou pelo e-mail bamidele@uol.com.br ou aleas.85@gmail.com

EM ANEXO VAI FICHA DE INSCRIÇÃO!

Informações pelo telefone: 322 8233

(Total de Vagas: 25)

Módulo I: História, Racismo e Identidade Étnico-racial

Data: 30/10

Horário: 13h às 17h

Carga Horária: 4h

Facilitadores/as: Profª Dra. Solange Rocha (Dep. História – UFPB)

Local: CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas

Rua 13 de Maio, 277. Bairro Centro –João Pessoa - PB

Módulo II: Educação Antirracista: Lei 10. 639 e Política de Cotas Raciais no Ensino Superior

Data: 11/11

Horário: 14h às 18h

Carga Horária: 4h

Facilitadores/as: Vânia Fonseca (Doutoranda em Sociologia – PPGS/UFPB e prof.ª da UEPB)

Local: CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas

Rua 13 de Maio, 277. Bairro Centro –João Pessoa - PB

Módulo III: Saúde da População Negra

Data: 18/11

Horário: 14h às 18h

Carga Horária: 4h

Facilitadores/as: Prof. Antônio Novaes (Dep. Biologia – UFPB)

Local: CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas

Rua 13 de Maio, 277. Bairro Centro –João Pessoa - PB



Obs: Será fornecido certificado!

Apoio:

Fundação Ford

Fundo Brasil de Direitos Humanos

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Capoeiristas da Borborema comemoram Consciência Negra






O Capoeira Luanda
estará realizando em novembro uma comemoração em alusão ao Dia da Consciência Negra. A idéia é reunir alguns segmentos que promovem Cultura Negra e, em praça pública, dar-lhes visibilidade, apresentar trabalhos culturais, alcançar a sociedade campinense, a mídia, os movimentos sociais, e por fim, promover consciência através da Arte Negra.
Será um evento entre os dias 20, 21 e 22* de novembro, onde o dia 20 de novembro será o marco das apresentações culturais e de todas as manifestações com um Festival de Ladainhas e Cantigas de Capoeira (Gritando nossos lamentos através da música);
uma Berimbalada (Que reunirá o maior número de berimbaus para juntos fazermos o mesmo som, uma verdadeira orquestra de berimbaus) e Roda de Capoeira (A 7ª Roda da Amizade - Movimento que reúne desde 2008 os capoeiras da Paraíba e de estados vizinho em uma roda de amigos).

Programação:
20/11/2009 (sexta-feira):
17h - Abertura do evento;
17h - Festival de Ladainhas e Cantigas de Capoeira;
18h - Berimbalada;
19h - Roda de Capoeira (7ª Roda da Amizade);
21h - Show;
23h - Enceramento;
Local: Praça Clementino Procópio.

21/11/2009 (sábado):
15h - Oficina de Capoeira;
19h - Oficina de Percussão e Ritmo (maracatu);
Local: a combinar;


22/11/2009 (domingo):
10h - Oficina de Capoeira;
15h - Oficina de Percussão e Ritmo (maracatu);
Local: a combinar;
* Local dos cursos será divulgado no decorrer desta semana.

domingo, 25 de outubro de 2009

Racismo faz mal á Saúde!

foto: Dalmo Oliveira













Abertura da conferência pela igualdade racial em João Pessoa


Com esse slogan, entidades do movimento negro paraibano realizam nas próximas terça, 27, e quarta, 28, uma série de atividades públicas para denunciar práticas racistas nos sistemas de saúde público e privado. A primeira delas ocorre na manhã desta terça, a partir das 9 horas, no Plenário da Assembléia Legislativa da Paraíba, com a realização de uma audiência pública enfocando a Política de Saúde da População Negra, a partir de requerimento do deputado Rodrigos Soares (PT). No mesmo dia, várias entidades estarão ocupando o Parque Solon de Lucena para levar à população da capital informações sobre o descaso da saúde pública para com os afroparaibanos.

Na quarta, 28, é a vez da Câmara de Vereadores de João Pessoa, promover sessão especial, requerida conjuntamente pelos vereadores Sandra Marrocos e Bira Pereira (ambos do PSB), para debater a mesma temática. "Além de denunciar o racismo institucional nos hospitais do SUS, vamos protocolar documentos junto às mesas diretoras das duas casas legislativas, exigindo a implantação imediata de programas especiais de saúde para a população negra, a exemplo do que já ocorre na maioria das capitais e estados brasileiros. Para nós é emergencial um programa de atenção integral às pessoas com doença falciforme, o principal problema de saúde publica do nosso povo", diz o ativista Dalmo Oliveira, coordenador-geral da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH).

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Campanha de promoção da Identidade Negra na Paraíba

Campanha de promoção da Identidade Negra na Paraíba

A Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba – lançou no último dia 30 de julho a Campanha de Promoção da Identidade Negra na Paraíba. Durante o evento foram apresentados os produtos de divulgação da campanha e hpuve apresentação da cantora Cátia de França e de grupos regionais. O lançamento aconteceu no Cine Bangüê, no Espaço Cultural, às 19h, em João Pessoa, capital da Paraíba.

A campanha visa elevar a auto-estima da população negra no estado, afirmar a identidade negra e recuperar a sua contribuição para o desenvolvimento local e no enfrentamento das discriminações que ainda hoje a população negra enfrenta no dia-a-dia.

Em muitos setores como escolas e universidades discutir questões raciais gera constrangimentos e reações negativas. A maioria da população negra em nosso estado reflete essa cultura de negação e tem dificuldades ou até mesmo rejeita assumir publicamente suas raízes africanas.

Alguns dados ajudam a compreender que a igualdade racial ainda não foi atingida. É fato que muitos avanços já foram percebidos, mas ainda existem muitos desafios a serem enfrentados, que estão diretamente relacionados ao contexto histórico de exclusão social em que a população negra está inserida.

O racismo brasileiro é camuflado, o que dificulta as ações anti-racismo. Uma pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo revela que 87% dos brasileiros reconhecem que há racismo no Brasil. Curiosamente, 96% não se assumem como racistas (Manual dos Diálogos contra o Racismo). Mas apesar de “invisível” o preconceito gera vítimas.

A população negra na Paraíba é maioria, mas não se encontra representada de forma igualitária nas universidades nem no mercado de trabalho. Segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio) 2007 a população da Paraíba era de 3.655.000 de pessoas das quais 1.334.000 de brancos, 2.316.000 de negros (pretos e pardos), isso significa 36,5 % de brancos e 63,3 % de negros.

A última análise das condições de vida da população brasileira, realizada em 2008 pelo IBGE, revelou que apenas 5,3% das pessoas com idades entre 18 e 25 anos que freqüentam o ensino superior são pretas ou pardas. Na Paraíba a renda média de um trabalhador negro é de 1,3 salário mínimo, enquanto do trabalhador branco é de 2,7 salários.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Moreno Jamais, eu sou é negro!

Moreno Jamais, eu sou é negro!


Ligo a tevê e me deparo com uma campanha-no mínimo-surpreendente, onde aparece a figura de Chico César chamando nossa atenção para a campanha:Moreno não, eu sou é Negro! Devo confessar que jamais esperei ver um dia esse discurso escancarado na mídia paraibana, dai meu espanto e em seguida meu contentamento...

Não me espanta que seja a pessoa de Chico César a chamar a nossa atenção para essa realidade,o que me espanta é que se dê espaço na Paraíba para que se diga e consequentemente se discuta essa questão de muitos entre nós se acharem morenos, mulatos, pardos, jamais negros!

Alguém dirá que a abertura é causada pela fama de Chico César e sua coragem, outros resmungarão que muitas pessoas influentes já disseram essas mesmas palavras ao povo paraibano, sem que fossem ouvidas e respeitadas devidamente...

O que interessa mesmo, a essa altura dos acontecimentos, é que algo a mais aconteça após o discurso público de Chico César e sabemos que muita coisa, a partir dessa convocação geral, depende muito do compromisso dele.

Por enquanto, de tanto ouvir discursos, acho que devemos cobrar das autoridades a criação de uma Delegacia Policial para tratar especificamente da questão dos negros, assim como já ocorreu com os homossexuais e as mulheres organizadas. Meu pensamento vai até o Distrito Policial especializado considerando que nem mesmo a escola leva a sério o que pedimos a tanto tempo existe uma regulamentação dizendo que nossa história vire matéria na grade currícular, mas até agora nada aconteceu num setor fundamental como a Educação.

Se assim fosse feito, muitos jovens estudantes pessoenses seriam salvos da ignorância de vem gerando brutalidade em relação aos negros, e muitos deles não se sentiriam cidadãos de terceira classe, sub-gente de categoria inferior e, certamente, o Censor desenvolvido na capital paraibana daria uma virada exatamente na cor da pele da maioria de sua população.

Em João Pessoa nada acontece a favor dos negros, parece até que a gente não existe!

Chico César aparece na tevê recorrendo ao discurso de que a música que o povo brasileiro escuta tem origem nos terreiros e senzalas e galpões negros.Tudo bem, se repararmos que até jornalistas esclarecidos desconhecem essa informação elementar, toque básico.

Mas eu desejo bem mais que isso, nada de Disque Racismo que chama agressores pra conciliação e impõe mais humilhação ainda ao negro historicamente depreciado em João Pessoa!!!!!!!! Nada de conchavos com que sempre pisou no povo negro!

Estou contente, muito contente com o que vi na tevê. Entre surpreso e espantado, como se um milagre tivesse nos acontecido, embora saiba que não é nada disso. E por isso mesmo, quero assistir bem mais transgressões nessa cidade cheia de negros embranquecidos...

Como Chico César nos mostra mais uma vez que ser negro não contém pecado algum, já é um bom começo de uma próxima campanha coletiva...

Chico Noronha_ jornalista

agosto de 2009 - João Pessoa - Paraiba



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sexta Roda da Amizade reúne capoeiristas em Campina Grande



A Roda da Amizade é um encontro promovido pelo Capoeira Luanda que reúne amigos e a diversidade capoeirística para jogarmos capoeira. A idéia surgiu com a proposta de reunir o maior número de capoeiras para fazermos o que mais gostamos e sabemos fazer: Jogar Capoeira. Respeitando a diversidade cultural de cada um dos envolvidos. Um detalhe importante é que a Roda da Amizade é comandada por uma mulher, a professora Virgínia Passos, conhecida no mundo da capoeira como Guerreira.

A 1ª Roda foi realizada em junho de 2008 e se tornou um sucesso, dos 15 grupos que temos na cidade de Campina Grande, participaram 08 e veio amigos da capital João Pessoa e do interior do estado, das cidades de Areia e Cabedelo. A 2ª e a 3ª contamos com amigos capoeiras da Paraíba e Pernambuco e o entusiasmo se estendeu para as outras seguintes. A 6ª versão aconteceu dia 28 de junho, as 14hs, em Campina Grande, no mesmo local onde tudo começou (Parque do Povo), ela veio para brindarmos um ano de conquistas e mostramos para a sociedade capoeirística e a sociedade civil o brilho e valor dessa arte genuinamente brasileira. É que juntos mostramos não só o brilho dos movimentos acrobáticos, por traz de todas as expressões corporais existe um valor social, humanitário, cultural e histórico e, com a destreza do corpo mostramos quem somos; o que queremos; por que estamos ali e; nosso valor na sociedade.

Estiveram presentes 09 grupos de capoeira, 07 da Paraíba e 02 de Pernambuco. A seguir os grupos e líderes, respectivamente: Equipe Nenê Paraíba - Professor Nenê; Legião Brasileira de Capoeira (do vizinho estado de Pernambuco) - Contramestre Pajé; Capoeira Brasil - Inst. Rildo; Escola Mukambu de Capoeira Angola (alunos); Ginga Brasil 1- Grad. Pato; Capoeira Marimbau (Pernambuco) - Mestre Paulo Molla; Capoeira Badauê (alunos); Ginga Brasil 2 - Mestre Matoso e o Capoeira Luanda que promoveu o evento. O encontro que durou cerca de 4 horas também contou com o brilho, entusiasmo do público presente, que a todo instante intervia com palmas, coro nas cantigas de capoeira e comentários.

Obrigada a todos que indireto ou diretamente participaram deste trabalho.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Coordenação do INTECAB na Paraíba toma posse nesta sexta

Nesta sexta-feira, dia 24 de Julho, acontece a posse da coordenação do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira da Paraíba. O evento será iniciado a partir das 8h no ILÊ ASÉ OSUN-ODENITÁ, situado na rua Carlos Antônio Galiza de Andrade, nº 129, bairro do Cuiá, em João Pessoa. "Está confirmada a presença do coordenador nacional do instituto Everaldo Conceição Duarte e do vice-coordenador, Genaldo Novaes, ambos de Salvador, além do coordenador do Estado do Pernambuco Baba Gil de Ogun e do Pejigan Koy de Osaguiã", diz o babalorixá Erivaldo da Silva, que está assumindo a coordenação da secção paraibana do INTECAB.

O Instituto tem como finalidade a promoção e a preservação dos valores espirituais, culturais e científicos emanados da Religião Tradicional Africana no Brasil, na África e nas Américas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pesquisadores negros organizam nova entidade na Paraíba


Por Dalmo Oliveira

Anote aí em sua agenda: dias 5 e 6 de novembro, em João Pessoa, Paraíba, acontece a primeira edição de um encontro de pesquisadores negros, cujo tema será “Universidades e ações afirmativas”. O evento será preparatório ao 6º Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), que ocorre em setembro de 2010, no Rio de Janeiro.

Esse será o principal desafio de um grupo de militantes negros, afrobrasileiros e não-brancos reunidos no último dia 9, no auditório do CEDUC/UEPB, em Campina Grande, a convite do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Interracial (Neabi). O professor José Benjamin (UEPB) recebeu os convidados explicando a finalidade do encontro. Ele fez um breve histórico das atividades do Núcleo e disse que as especializações que a UEPB mantém sobre a questão racial e cultura africana devem ser transformadas em curso de pós-graduação, em nível de mestrado, em curto prazo.

Além de Benjamin, estiveram na reunião, os historiadores Waldeci Chagas e Patrícia Cristina de Aragão e Jomar da Silva. Chagas atua na área de História da África desde 2000. Aragão e Silva também pesquisam religiões de matriz africana e a vida nos quilombos. Como se vê, o núcleo de pesquisadores da História é o mais organizado e produtivo. A ele se junta a historiadora, paranaense radicada em João Pessoa e professora da UFPB, Solange Rocha, além da ativista da rede pública, e também historiadora, Socorro Pimentel.

Mas há outras áreas do conhecimento contempladas nesse time da secção paraibana da ABPN, como o Direito, representado pela professora Luciana Barreto da UEPB, que atua no campo das chamadas “minorias”. E a Comunicação Social, com o jornalista Dalmo Oliveira (Embrapa), que faz pesquisas no campo comunicacional sobre discurso e representações raciais na mídia paraibana. Ele também pesquisa doença falciforme e atua no campo da saúde da população negra, sendo ativista da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH). Ou a Antropologia, pelas mãos do professor Joselito Eulâmpio, da Universidade Estadual do Vale do Acaraú, que investiga o processo escravagista no Seridó Central paraibano, mapeando aspectos da comunidade Pitombeira, no município de Várzea.

Mas há outras ações que merecem registro, como o projeto “Africanidades”, com livros didáticos que abordem a questão racial e a formação africana do povo paraibano, em que estão envolvidos os pesquisadores Alessandro Amorin, Ana Luiza Cândido, Alessandra Araújo e outros. Ou ainda a pesquisa de Liélia Barbosa, sobre racismo institucional da rede pública de ensino em Campina Grande.

Representantes da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado da Paraíba, o historiador Josenilton Feitosa e a advogada Luzinete Victor também se fizeram presentes, destacando a realização das conferências estaduais e nacional de promoção da igualdade racial.

COMISSÃO – Uma comissão provisória foi escolhida para conduzir as primeiras ações da secção da ABPN na Paraíba. Cristina Aragão, Waldeci Chagas, Ariosvalber de Sousa e Dalmo Oliveira, assumiram o abacaxi operacional e legalista para colocar a entidade em funcionamento nos próximos meses. A primeira tarefa será trazer à Paraíba, um representante da diretoria da ABPN, provavelmente a professora Iraneide Soares, “Pretendemos publicar as pesquisas dos associados em livros e revistas especializadas, além de realizar eventos para garantir a visibilidade dos pesquisadores negros”, diz Oliveira.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Conferência reivindica políticas de comunicação em prol da igualdade racial

Conferência reivindica políticas de comunicação em prol da igualdade racial
Juliana Cézar Nunes - para o Observatório do Direito à Comunicação
01.07.2009

Mesmo sem ter oficialmente entre seus eixos temáticos a questão da “comunicação”, a 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) debateu a urgência de políticas públicas de corte racial para o setor. A ausência de um espaço oficial na Conappir - sentida pelos participantes e cobrada da organização do evento - não impediu que jornalistas, comunicadores, ativistas e movimentos sociais negros conseguissem pautar o tema na Conferência.

Em reunião com o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, eles defenderam a criação de um grupo de trabalho para formular ações governamentais sobre comunicação e igualdade racial. Diante das propostas apresentadas, Santos se comprometeu a avaliar a possibilidade de implantar uma instância com o papel de trabalhar questões relacionadas à comunicação.

A inexistência de cobertura da grande mídia comercial sobre os quatro dias de debates e os recentes editoriais contrários às políticas de cotas causaram indignação nos presentes e levantaram no evento a reflexão sobre a invisibilidade característica do tratamento dado à população negra nos meios de comunicação.

Convidado para a programação cultural da conferência, o rapper Mano Brown, do grupo Racionais MC´s, protestou contra o discurso da imprensa sobre as cotas nas universidades. “O estudante da cota não deve ser visto como um beneficiado. Tem que ser visto como um cara que trabalhou muito e não foi indenizado pelos direitos. Não como quem vai receber esmola do patrão”, defendeu Brown.

No painel temático sobre saúde, a jornalista Kelly Quirino, de Bauru (SP), chamou a atenção para a falta de cobertura jornalística a respeito da saúde da população negra. “O movimento negro tem um trabalho de longa data na questão de saúde e isso não é pautado nos jornais. Não encontro matérias sobre doenças prevalentes na população negra, como anemina falciforme e mioma uterino”, destacou Kelly, que faz mestrado em Comunicação Midiática na Universidade Estadual Paulista (UNESP).

A presidente do Geledés - Instituto da Mulher Negra, Nilza Iraci, lembrou que o Brasil não cumpre recomendações internacionais (como a Declaração e o Plano de Ação de Durban) no sentido de incorporar os meios de comunicação nas políticas de combate ao racismo: “temos feito pesquisas sobre isso e constatamos que a mídia brasileira invisibiliza a mulher negra e adota um discurso que contribui para a persistência do racismo e da intolerância religiosa”, disse.

Enegrecer a Confecom

Frente a este quadro, ativistas envolvidos com a temática defenderam a participação dos movimentos e entidades negros e da Seppir no processo de organização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), cuja etapa nacional está marcada para dezembro deste ano em Brasília.

A atuação da secretaria neste processo foi um dos principais pleitos na moção apresentada pelas Comissões de Jornalistas pela Igualdade racial (Cojiras) ao plenário do evento. De acordo com o coordenador da Cojira-DF, Sionei Leão, o objetivo principal é garantir espaço para o debate de temas como: racismo, homofobia e intolerância religiosa nos meios de comunicação e regularização de rádios comunitárias quilombolas, negras, indígenas e ciganas, além da aplicação nos cursos de comunicação da lei 11.645/08 (Lei de Inclusão da História e Cultura Afro-brasileira, Africana e Indígena nos Currículos Escolares).

“Já foram autorizadas 60 rádios comunitárias em áreas quilombolas, mas temos dificuldade em garantir o funcionamento delas. É necessária uma política de apoio a essas rádios, que têm um papel fundamental na divulgação de informações de utilidade pública nas comunidades”, ressaltou Josué Franco Lopes, comunicador negro, representante da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e integrante da Comissão Organizadora Nacional da Confecom.

O jornalista Dojival Vieira, editor da Afropress (Agência de Informação Multiétnica), chamou a atenção para a necessidade de investimento público na imprensa alternativa que prioriza o tema igualdade racial. “O governo federal tem aumentado a distribuição de recursos para a mídia regional e, ainda assim, esses recursos não chegam para nós. A mídia étnica anti-racista deve ser priorizada dentro de uma política pública de combate ao racismo. A Seppir precisa se envolver nisso”, reclamou Dojival.

Para “enegrecer” a Confecom, a presidente do Sindicato de Jornalistas de Alagoas e integrante da Cojira-AL, Valdice Gomes, defendeu que os comunicadores e movimentos sociais negros se mobilizem para garantir a participação, como delegados, nas etapas estaduais e nacional. “Precisamos chegar com força nas estaduais, pautar o debate e exigir que ele seja feito, ainda que de maneira transversal, na Conferência Nacional”, afirmou Valdice.

Apoio governamental

Na abertura da 2ª Conapir, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, ressaltou a importância da Conferência Nacional de Comunicação e reconheceu que ela se tornou realidade a partir da “contribuição de vários setores do movimento negro”.

O ministro da Seppir, Edson Santos, em coletiva à imprensa, disse que tem dialogado com o Ministério das Comunicações no sentido de garantir a regularização de rádios comunitárias em áreas quilombolas. Santos também revelou ter se reunido recentemente com a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) para reivindicar uma cobertura mais parcial da política de cotas. “É fundamental que essa cobertura permita à sociedade brasileira formar sua própria avaliação sobre essa política”, defendeu o ministro.

Participe

Para fazer parte da mobilização em defesa de uma política pública de comunicação para a igualdade racial, envie seus contatos para o e-mail cojiras@gmail.com. Comunicadores, ativistas e entidades negras interessadas em subescrever a moção dos participantes da 2ª Conapir devem acessarwww.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4592. O texto será apreciado pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), em agosto.

/////////////////////////////////////////////

fonte: http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=5200

terça-feira, 30 de junho de 2009

Exército usa Bibliex para conduta racial ideológica

Exército usa Bibliex para conduta racial ideológica

Sionei Ricardo Leão*





A atitude da Biblioteca do Exército (Bibliex) de reeditar o livro 'Não somos racistas', do jornalista Ali Kamel, vem provocando protestos de integrantes da Força e de variados cidadãos interessados na temática igualdade racial no Brasil.

Isso porque a Bibliex cumpre uma função oficial em meio ao aparato do Exército Brasileiro. Por esse motivo, tem a prerrogativa de distribuir obras às unidades militares estabelecidas do país, em outras palavras, tem poder de capilaridade e consequente influenciação.

Ocorre que Ali Kamel, junto com o cientista político Demétrio Magnoli, tem cumprido o papel de franco algoz das políticas afirmativas implementadas no país, para tanto desferindo frequentes ataques à reserva de vagas para negros nas universidades, as decantadas cotas.

Para se ter uma dimensão do incômodo provocado com a iniciativa da Bibliex, transcrevo os comentários, em tom de denúncia, de um oficial de carreira do Exército, cuja identidade preservo por razões óbvias.

"Sou militar, amo a minha profissão, entretanto, não posso me calar diante de um retrocesso financiado pelo dinheiro público, pois esses livros editados e doados aos quartéis têm financiamento do dinheiro público. Não posso deixar que pessoas, de intenções desconhecidas, aproveitem a condição do nosso glorioso Exército, o qual eu tenho imenso orgulho de envergar sua farda, para desconstruir fatos e desinformar pessoas sobre a verdadeira realidade do nosso país", desabafa o oficial.

A argumentação de Ali Kamel estabelece-se na vertente de que os movimentos negros, amparados por segmentos da intelectualidade, vêm se empenhando pela edificação de uma identidade brasileira, diversa do fenômeno da mestiçagem e de multiplicidade racial, para ele, basilares na formação nacional.

No campo das ideias, portanto, a difusão da obra evoca a reflexão que desde os anos trinta, do século 20, a partir da publicação de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, eclode esse desafio à psiquê étnica, que ininterruptamente clama por várias interpretações e contestações. Não é de se admirar que o Exército Brasileiro conte em seus quadros com "gestores públicos", que interpretam as inevitáveis discussões sobre integração racial como um desafio. Mais do que isso, como uma ameaça de revisão de alguns dogmas que a instituição patrocinou para si mesmo e para o país, como o da cordialidade.

Ao mesmo tempo, em consonância com o tom indignado do oficial de carreira, é temerário que um típico organismo de Estado decida abertamente por tomar partido, num momento de acirramento, por um viés ideológico, que está muito longe de pacificação.

A doutrina que se ouve dos núcleos responsáveis pelo pensamento militar brasileiro, na atualidade, vai no sentido de se eleger a postura profissional, técnica, distante dos desvarios e engajamentos políticos que as Forças Armadas brasileiras palmilharam em tempos passados, cujos efeitos conhecemos e são muitos. Entre eles, o desgaste perante setores formadores de opinião.

Exército, enquanto instituição, não deve ser de esquerda, de direita, de centro, enfim, não pode se pautar por conduta ideológica, mas ser leal à Constituição e ao poder erigido, democraticamente, das urnas e legalizado pelas instituições competentes para isso.

Por essas razões, ao dar abrigo às digressões de Ali Kamel, o Exército Brasileiro, por meio da Bibliex, incorre num perigoso terreno, e numa trajetória ilegítima, uma vez que não é consensual a grita desse jornalista, na verdade, arrisco classificar como minoritária, embora estridente. Basta notarmos que são cerca de cinquenta as universidades públicas no Brasil que têm ou estão discutindo programas de cotas para negros.

Ou seja, embora a polêmica que se percebe por meio da imprensa, a sociedade, representada pelos colegiados universitários vem espraiando as reservas de vagas, por entenderem-nas como justa reparação a um segmento populacional, sobejamente, marginalizado. Por entenderem também que essas medidas vão contribuir por um mercado de trabalho mais diverso, mais justo, e por campi universitários mais característicos do que é o povo que vive no Brasil.

O "Braço Armado da Nação", como o EB costuma se auto-representar não tem o direito pela função que lhe confere a Constituição de tomar partido numa peleja que é do escopo do terceiro setor, da intelectualidade, dos partidos políticos, das ONGs, dos desarmados. Estes sim têm o direito e o compromisso do debate e do diálogo permanente acerca de formular idéias que visem um país melhor, sob o abrigo das instituições edificadas para dar ao país a estabilidade e as salvaguardas da paz.

*Atualmente é chefe de reportagem do Clicatv, do Jornal de Brasília e assessor de imprensa na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cursou graduação em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde se especializou em comportamento político.