quarta-feira, 12 de junho de 2013

Câmara de João Pessoa discute pós-abolição

Atendendo solicitação do Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR) e da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH), o vereador Bira Pereira, promove nesta quinta-feira, 13, no plenário da Câmara Municipal de João Pessoa uma sessão especial que debaterá aspectos do Pós-Abolição na Paraíba e na capital do estado, especialmente. O evento está agendado para as 15 horas.

"A ideia é que a Câmara discuta as políticas públicas de reparação e de promoção da igualdade racial no âmbito do município mais importante da Paraíba. A atual gestão municipal acenou com a implantação de uma secretaria para cuidar dessa temática, mas até agora apenas uma Coordenadoria sem orçamento e com muitas limitações foi implementada", diz o ativista e jornalista Dalmo Oliveira, coordenador do FOPPIR.

O mandato do vereador expediu convites para lideranças de vários segmentos interessados na discussão, como religiosos de matriz africana, quilombolas, capoeiristas e demais ativistas do chamado "movimento negro". Segundo Oliveira, a sociedade paraibana precisa assumir de uma vez por todas o racismo entranhado secularmente na vida social da Paraíba. "Aqui o racismo é tão dissimulado que as pessoas não-negras evitam chamar os pretos e pardos de negros, então foi criado o subterfúgio simbólico da palavra 'moreno'. É como se todos os paraibanos afrodescendentes fossem apenas 'morenos'", comenta Dalmo.

A sessão especial deverá abordar temas espinhosos como genocídio da juventude negra, a intolerância religiosa contra os adeptos do candomblé, da umbanda e da jurema sagrada. Discutirão também racismo institucional, cotas raciais, e cultura afroparaibana.

Outro tema importante no evento deverá ser a saúde da população negra: "A anemia falciforme ainda é ignorada pelo pessoal da saúde, apesar dos esforços da secretaria de saúde do município. Os PSFs ainda não receberam capacitação para atender os portadores e os hospitais municipais estão longe de chegarem ao nível de qualidade de atendimento que uma pessoa com a doença falciforme necessitaria", diz Zuma Nunes, coordenador-geral da ASPPAH.

Os ativistas chamam atenção também para a comunidade quilombola de Paratibe, que vem sofrendo com o avanço da especulação imobiliária em seu território. Outra demanda a ser apresentada diz respeito à inserção do quesito raça/cor em todos os formulários de atendimento dos cidadãos em todos os órgãos da administração municipal direta e indireta.

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