Numa cerimônia simples, o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial da Paraíba (CEPIR-PB) deu posse a seus novos membros, na manhã desta terça-feira, no auditório da Paraíba Previdência (PBPREV), em João Pessoa. A maioria das falas dos representantes da sociedade civil reivindicou aceleração, por parte do poder público estadual, na implantação de políticas públicas nesta área.
“Nos últimos anos vimos avançar muito na Paraíba as políticas públicas demandadas pelo movimento de mulheres. Mais recentemente temos visto a visibilização e atendimento das demandas do segmento LGBT, mas as demandas da temática racial ficaram para traz”, observou o atual presidente do CEPIR, Dalmo Oliveira.
Ele destacou que esse ano ocorrerá novamente conferências públicas sobre a promoção da igualdade racial em todo Brasil e também aqui na Paraíba. “Além da etapa estadual, é importante que realizemos as conferências municipais, especialmente nos territórios onde vivem mais concentradas as populações negra, indígena, cigana e quilombola”, defendeu o ativista. Para Oliveira, a Paraíba precisa aprofundar a discussão sobre políticas públicas de reparação destinadas aos cidadãos afrodescendentes.
Dalmo disse que, além das políticas de cotas, nas universidades públicas, se faz necessário que o Estado garanta a permanência desses estudantes, oferecendo ajuda para o transporte, moradia e aquisição de livros e outros materiais demandados durante os cursos de graduação.
A ialorixá Mãe Renilda reivindicou ações concretas do Estado paraibano de combate à intolerância religiosa contra os adeptos das religiões afro-ameríndias. “O poder público precisa ter um olhar diferenciado para esse segmento”, defendeu, acrescentando que há uma demanda reprimida na área da habitação e que os religiosos dessa matriz têm sido vitimas de violências, inclusive assassinatos.
| Geilsa da Paixão: "Ainda estamos esperando a construção das 150 casas prometidas" |
A representante do segmento quilombola, Geilsa Paixão, reivindicou agilidade do Estado na implantação do Programa Brasil Quilombola. Ela também solicitou a construção de casas populares nas comunidades quilombolas da Paraíba.
Convidada especial para a solenidade, a coordenadora de políticas para a cidadania LGBT e de promoção da igualdade racial da Prefeitura de João Pessoa, Maria do Socorro Pimentel, destacou que o governo municipal da capital implantou o Orçamento Participativo Temático, em que pretende receber demandas de diversos segmentos sociais organizados. Pimentel anunciou ainda a realização de evento no mês vindouro para discutir com os movimentos sociais negros e com a população pessoense o pós-abolição.
A secretária estadual de políticas para mulheres e diversidade humana, Gilberta Santos Soares, esteve presente durante toda solenidade. Ela disse que considera o CEPIR um instrumento da democracia participativa e do exercício do controle social junto ao Estado.
Soares reconheceu algumas das críticas colocadas pelos ativistas e disse que para esse ano sua secretaria pretende avançar na elaboração de um plano estadual de promoção da igualdade racial. “Queremos promover uma interiorização dessa temática, mobilizando as prefeituras e aproveitando que esse ano teremos as conferências dessa área”, disse.
A secretária comentou ainda que vem trabalhando com o conceito de “interseccionalidade”, discutindo e negociando as políticas públicas com os mais variados setores do poder público. Ela prometeu a realização de uma grande campanha de comunicação na mídia sobre a temática etnorracial, a exemplo do que foi feito em anos anteriores com os segmentos de mulheres e da população LGBT. Aproveitou para anunciar a criação de um conselho específico para defesa da cidadania das pessoas das diferentes diversidades sexuais.
“Eu assumi essa Secretaria com a responsabilidade de quem foi formada pelos movimentos sociais. Durante meu doutorado em Salvador eu tive oportunidade de ganhar uma boa vivência com a temática racial, que me deu a condição de compreender melhor a questão do racismo e da necessidade de políticas para promoção da igualdade racial”, declarou Gilberta.
Vinculado à Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, o Conselho funciona com a participação de conselheiras e conselheiros representantes de comunidades e povos tradicionais, especialmente os segmentos quilombolas, a comunidade cigana, povos de terreiros das religiões de matriz africana, indígenas, capoeiristas e representantes de organizações não-governamentais que compõem o chamado movimento negro.
A composição atual do CEPIR-PB ficou assim: Ronaldo Carlos e Cícero Romão Batista (Maninho), respectivamente como titular e suplente do segmento populacional dos ciganos. Isaias Marculino (titular) e Alcides da Silva Alves (suplente), representando a população indígena.
Silvando de Luna Freire e Renilda Albuquerque (titulares) e Maria Goreti da Silva e Carlos Roberto Alves (suplentes) como representantes religiosos. Geilsa Roberto da Paixão e José Maximino da Silva, como titulares, e Elza Ursolino Nascimento e José Jorge, como suplentes para a representação quilombola.
O movimento negro social passou a ser representado por Francimar Fernandes, Fabiana Veloso, Dalmo Oliveira, Clareana Cendy e José Ribeiro da Silva, como titulares. Os suplentes são: Maria Ivanice Gonçalves, Eduardo Wanderlei Marques, Alzumar Nunes, Moisés Alves e Edmilson Lima. A representação dos capoeiristas ficou a cargo de Glauber Rogério de Lima Bezerra (Mestre Rogério) e de Gutemberg da Silva Ferreira (Mestre Mazinho).
Os 12 representantes governamentais serão re-conduzidos ou redefinidos por algumas secretarias e órgãos públicos estaduais. As universidades públicas também têm acento nesse Conselho. O CEPIR visa propor e monitorar a execução de políticas públicas, no âmbito do estado da Paraíba, para reparação e promoção da igualdade racial, seguindo diretrizes da SEPPIR.
A primeira gestão do CEPIR-PB tomou posse no dia 9 de julho de 2010, mas o Conselho ficou inativo até setembro de 2011. O órgão é regulamentado pela Lei Estadual nº 8.981, de 15 de dezembro de 2009.






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