| Ferreira: humanismo e humildade (Fotos: Fabiana Veloso) |
Durante
três dias o secretário da Reparação de Salvador, Ailton Ferreira, realizou em
João Pessoa uma série de reuniões com diversos segmentos do movimento social
negro da capital paraibana. Ele veio à cidade a convite do jornalista Dalmo
Oliveira, membro do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR) e
do Fórum Paraibano de Promoção da
Igualdade Racial (FOPPIR).
| Petistas pessoenses ouviram experiências da SEMUR |
De
forma simples e didática Ailton mostrou aos presentes porque Salvador decidiu
criar a SEMUR. Ele disse que depois que ocorreu a terceira conferência contra o
racismo e xenofobia de Durban o Brasil assumiu compromisso de criar políticas
públicas de reparação para as populações descendentes dos africanos
escravizados.
Em
Salvador, a secretaria foi criada em 2003. Ailton fez questão de destacar que a
secretaria foi criada pela luta dos movimentos sociais, e começou explicando
sobre a diferenciação entre a cidadania dos que vieram para o Brasil para
mandar e aqueles que foram trazidos para obedecer. “No Brasil havia uma ideia de
que existem gente de primeira e gente de segunda categoria, como se fosse um
açogue onde se vende carne de primeira e de segunda, mas nós somos gente, não
somos carne e Deus fez todo mundo de primeira. Essa hierarquia, essa separação,
essa inferioridade e superioridade entre as pessoas está na nossa matriz
cognitiva”, diz o sociólogo.
| O secretário deu uma verdadeira aula de história do Brasil |
Ele
falou da questão das prioridades na saúde. “O país é bam-bam-bam em cirurgia
plástica, mas não tem tratamento para a anemia falciforme. Nós hierarquizamos o
atendimento. Então que tipo de priorização é essa?”, pergunta. “Não é normal
negros serem mal tratados. Nós queremos passar o país a limpo. Zerando o jogo”,
diz.
| Ativistas negros paraibanos interagiram com o secretário |
Em
2009, o orçamento da SEMUR foi de R$ 1 milhão 250 mil. Já em 2010, passou para
R$ 2 milhões e 600 mil. No ano seguinte o orçamento da SEMUR superou os R$ 4 milhões,
com recursos do Tesouro Municipal. Além disso, a Prefeitura de Salvador recebe
recursos federais para bolsas aos estudantes cotistas nas universidades.
Ele
lembrou que a população negra é hoje cerca de 52% da população nacional. Na
Paraíba essa percentagem é ainda maior. A Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílio (PNAD,2007) demonstra que na Paraíba 58,9% dos seus habitantes são
pardos; 37,5% brancos; 3,4% pretos e 0,2% amarelos ou indígenas.
“Essa
secretaria é fundamental nesse momento. Queremos que ela tenha exatamente essa
função de articuladora com as demais secretarias, para que todo o governo faça
o combate ao racismo e compreenda a importância das políticas públicas para
promoção da igualdade racial”, comentou o deputado Luciano Cartaxo, após a
explanação do convidado.
ATIVISMO E PROTAGONISMO NEGROS
No
sábado, 7, Ailton Ferreira participou de reuniões com ativistas do movimento
negro paraibano. Na parte da manhã ele dialogou com lideranças de religiões da
matriz africana, representantes da Pastoral Afro, mulheres negras e de pessoas
com doença falciforme.
| O secretário Ailton Ferreira teve uma agenda intensa em João Pessoa |
À tarde,
o gestor baiano concedeu entrevista ao programa radiofônico Alô Comunidade, na
Rádio Tabajara AM, onde pode responder perguntas dos ouvintes sobre a questão
das cotas raciais nas universidades entre outros temas.
No
domingo, 8, o secretário visitou os terreiros Ilé Axé Omidewá, no Valentina
Figueiredo e de Mãe Chaguinha, em Mangabeira, onde pode conhecer mais de perto
as comunidades tradicionais da cidade. Em Mangabeira, Ferreira fez reunião com
militantes da capoeira e da religião, discutindo temas mais políticos como
democratização da comunicação, saúde da população negra e tradições afro-brasileiras.
| A visita do gestor soteropolitano abriu portas para um intercâmbio mais perene entre baianos e paraibanos |
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